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Procuradoria desafia suspensão de pesquisa de Flávio Bolsonaro

Procuradoria desafia suspensão de pesquisa de Flávio Bolsonaro
Fonte: g1.globo.com/politica/noticia/2026/06/22/procuradoria-e-contra-suspensao-por-nunes-marques-de-pesquisa-que-mostrou-queda-de-intencao-de-votos-de-flavio-bolsonaro.ghtml

Procuradoria-Geral Eleitoral pede derrubada de decisão que suspendeu pesquisa AtlasIntel sobre queda de votos de Flávio Bolsonaro. Análise do voto do TSE.

Procuradoria questiona decisão de Nunes Marques sobre pesquisa

A Procuradoria-Geral Eleitoral manifestou-se contrária à decisão individual do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, que ordenou a retirada e suspensão da divulgação de uma pesquisa sobre Flávio Bolsonaro realizada pelo Instituto AtlasIntel. O órgão argumenta que não existem fundamentos sólidos que justifiquem a intervenção judicial neste caso, recomendando ao plenário da Corte que reverta a medida cautelar concedida.

A pesquisa em questão foi conduzida em maio e apontou uma queda de cinco pontos percentuais nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato apoiado pelo PL no Rio de Janeiro. O levantamento buscava avaliar como os eleitores perceberam o senador após o vazamento de um áudio onde ele solicitava recursos financeiros ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, destinados à produção de um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

Argumentos da defesa de Flávio Bolsonaro

A defesa do senador Flávio Bolsonaro solicitou a suspensão da pesquisa, alegando que havia indícios de manipulação metodológica que comprometeria a fidedignidade dos resultados. Nunes Marques acolheu o pedido e determinou a retirada do conteúdo, entendendo que havia possibilidade de contaminação das respostas que prejudicaria a qualidade científica do levantamento.

Parecer técnico da Procuradoria

O vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, sustenta em seu parecer que não existem elementos objetivos que fundamentem a confirmação da decisão de Kassio Nunes Marques. Segundo Espinosa, a intervenção da Justiça Eleitoral em pesquisas deve ser restrita apenas a casos excepcionais onde fique demonstrada a violação clara dos princípios de equidistância e imparcialidade no trabalho científico.

No documento, Espinosa critica uma abordagem excessivamente interventora: "Não é dado, nesse contexto, à Justiça Eleitoral arvorar-se de um papel de curador da fidedignidade dos resultados da pesquisa por uma perspectiva consequencialista, na medida em que a intervenção judicial deve ser minimalista e suficiente para evitar disfuncionalidades objetivamente comprovadas."

Análise sobre manipulação da pesquisa

A Procuradoria considera que não ficou comprovada qualquer manipulação ou direcionamento indevido do eleitorado pela instituição responsável pelo levantamento. O parecer técnico afirma que o pedido da defesa do PL baseia-se primariamente em desacordo com as escolhas metodológicas adotadas, não em violações efetivas de normas.

"Não há aparente incompatibilidade na metodologia empregada pela representada com as regras estabelecidas na legislação ou mesmo instrução normativa do TSE", consta no documento apresentado pela Procuradoria. Este argumento central refuta a premissa de que o Instituto AtlasIntel teria agido fora dos padrões regulamentares.

Questão da veracidade do áudio

Um ponto relevante destacado pelo vice-PGE diz respeito ao áudio que motivou a pesquisa. Espinosa observa que o próprio Flávio Bolsonaro não negou a autenticidade das informações contidas na gravação onde solicita dinheiro a Daniel Vorcaro. Esta constatação enfraqueceria a tese de quebra na cadeia de custódia da informação, segundo a análise procuratorial.

"É fato público e notório que o próprio pré-candidato envolvido no diálogo que é objeto de crítica do representante sequer negou a veracidade dos fatos, o que depõe contra a tese de quebra de cadeia de custódia", argumenta o vice-procurador-geral.

Função das pesquisas na opinião pública

Para a Procuradoria, é absolutamente natural e esperado que institutos de pesquisa avaliem o impacto de fatos dessa natureza junto à população. A instituição sustenta que consequências de relacionamentos entre personalidades públicas e figuras políticas, inclusive pré-candidatos, devem ser permanentemente monitoradas e analisadas pela sociedade civil através de instrumentos científicos legítimos.

Status do julgamento no plenário

O julgamento no plenário do TSE foi iniciado no início do mês, mas foi interrompido a pedido da ministra Estela Aranha, que solicitou prazo adicional para análise completa do caso. Além disso, os ministros sinalizaram a necessidade de realizar uma reunião com os principais institutos de pesquisa para discutir e estabelecer critérios mais claros para as eleições do ano em andamento, encontro que ainda não ocorreu até o momento.

A decisão final sobre a pesquisa de Flávio Bolsonaro e a revisão da medida cautelar deverá ser analisada pelo colegiado completo do Tribunal Superior Eleitoral em sessão plenária, onde os ministros avaliarão os argumentos apresentados pela Procuradoria contra a manutenção da suspensão ordenada por Nunes Marques.

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