Flávio Bolsonaro defende papel das filhas no cuidado na terceira idade

Senador Flávio Bolsonaro afirma que teve duas filhas para cuidarem dele na velhice. Veja declaração sobre economia do cuidado e eleições.
Declaração sobre maternidade e responsabilidades familiares
O senador Flávio Bolsonaro fez uma declaração controversa nesta quarta-feira (5), afirmando que teve duas filhas especificamente para que elas cuidem dele quando envelhecer. Durante um evento de campanha, o pré-candidato à Presidência da República abordou o papel das mulheres no cuidado familiar, evidenciando como Flávio Bolsonaro enxerga a dinâmica entre gênero e responsabilidades domésticas.
"Muitas vezes, na grande parte das vezes, quem tem que tomar conta dos idosos são as mulheres. Eu fiz duas filhas exatamente para isso. Quando eu ficar velhinho, eu vou ter quem vai tomar conta de mim, porque as mulheres são assim: são família, são coração, são sentimento, são sensibilidade", afirmou o senador durante o pronunciamento.
Contexto familiar e filhas adolescentes
Flávio Bolsonaro é pai de duas meninas adolescentes, uma com 14 anos e outra com 12 anos, ambas filhas da dentista Fernanda Bolsonaro, sua esposa. As declarações do senador ocorreram durante um evento significativo em sua campanha eleitoral, onde anunciou o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente em sua chapa para as eleições deste ano.
O contexto da fala evidencia a estratégia política de Flávio Bolsonaro em relação ao eleitorado feminino, que representa 52,8% do total de eleitores no país. Suas observações sobre a dinâmica familiar buscavam ressaltar a importância das mulheres nas estruturas domésticas e no cuidado com os membros mais vulneráveis da sociedade.
Economia do cuidado e impacto no PIB
Para justificar sua posição, Flávio Bolsonaro utilizou argumentos econômicos relacionados à chamada "economia do cuidado". O senador destacou que o trabalho não remunerado realizado por mulheres em casa — como cuidar de filhos, manutenção do lar e assistência a idosos — representa uma parcela significativa da economia nacional.
"Eu tô aprendendo muito com todas vocês, a economia do cuidado, onde 8,5% do nosso PIB seria estimado se as mulheres fossem remuneradas por cuidar dos idosos, por cuidar dos filhos, por fazer outras tarefas além do seu trabalho normal", complementou o pré-candidato em seu discurso.
Esta perspectiva apresenta uma tentativa de valorizar o trabalho feminino doméstico, conectando questões de gênero com análises econômicas mais amplas. A afirmação sobre o impacto de 8,5% no PIB reflete a importância econômica das atividades de cuidado historicamente atribuídas às mulheres, frequentemente invisibilizadas nas contas nacionais.
Participação feminina no evento de campanha
O evento contou com presença notável de lideranças femininas que haviam sido consideradas como possíveis companheiras de chapa para Flávio Bolsonaro. Entre as presentes estavam a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a ex-presidente da Caixa Daniella Marques, que se filiou ao Republicanos. Ambas as mulheres representavam potenciais candidatas a vice antes da decisão final da campanha.
A campanha de Flávio Bolsonaro havia investido semanas em negociações para incorporar uma mulher como vice-presidente na chapa, estratégia voltada ao fortalecimento da candidatura entre o eleitorado feminino. No entanto, após os respectivos partidos (PP e Republicanos) anunciarem posições de neutralidade nas eleições presidenciais, as negociações não prosperaram e resultaram na escolha de Alfredo Gaspar como vice.
Posicionamento das lideranças femininas presentes
Tereza Cristina, ao fazer breve pronunciamento, agradeceu formalmente o convite para integrar a chapa como vice-presidenta, mas justificou a impossibilidade de aceitar por limitações partidárias impostas pela sigla PP. Daniella Marques, por sua vez, focou seu discurso na importância de políticas públicas direcionadas à defesa e promoção dos direitos das mulheres.
A líder do PP no Senado argumentou que a escolha de um homem como vice não necessariamente afasta o eleitorado feminino da candidatura de Flávio Bolsonaro. "A mulher não vota só porque é mulher, ela vota em valores. Ela vai avaliar os valores do Alfredo Gaspar [...] Ele é de uma área que o Brasil acha hoje que é a principal, que é a Segurança, um promotor de Justiça. Mas não vejo isso como fator preponderante", declarou Marques.
Menções a outras figuras políticas na campanha
Durante seu discurso, Flávio Bolsonaro também ressaltou confiança na candidatura de Michelle Bolsonaro (PL) para o Senado pelo Distrito Federal, afirmando que ela "vai vencer" a disputa. Michelle, porém, não compareceu ao evento de anúncio da vice-presidência de Alfredo Gaspar, assim como havia se ausentado da convenção que oficializou a candidatura de Flávio à Presidência.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) justificou a ausência de Michelle explicando que ela estaria "cuidando" de Jair Bolsonaro, que permanece em situação de prisão domiciliar. Esta explicação conecta-se diretamente às observações de Flávio Bolsonaro sobre o papel das mulheres no cuidado familiar, evidenciando padrões de dinâmica doméstica presentes no contexto político.
Repercussão e contexto eleitoral
As declarações de Flávio Bolsonaro geraram reflexões sobre questões de gênero, maternidade e responsabilidades familiares no contexto de campanha eleitoral. A discussão sobre economia do cuidado e o papel das mulheres na manutenção das estruturas familiares permanece central nas estratégias de atração de votos femininos pela campanha do senador pré-candidato à Presidência da República.



