Revisão Diária

Lula critica superávit e defende investimentos para crescimento

Lula critica superávit e defende investimentos para crescimento
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Presidente Lula critica política de superávit e defende investimentos governamentais para impulsionar o crescimento econômico e geração de empregos no Brasil.

Presidente defende mudança na política fiscal para estimular economia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pronunciou-se durante comício em Curitiba neste sábado (12) sobre a importância de Lula critica superávit como obstáculo ao desenvolvimento econômico. Segundo o petista, a busca constante por saldo positivo nas contas públicas impede investimentos necessários para o crescimento do país e geração de postos de trabalho.

Durante o evento de campanha, o mandatário reiterou sua posição de que a economia brasileira depende de crescimento sustentado. Para alcançar este objetivo, afirmou que é fundamental interromper o que denominou de "babaquice de fazer superávit", priorizando em seu lugar investimentos estratégicos pelo governo federal.

Declarações sobre crescimento e emprego

"Pra gerar emprego, a economia tem que crescer, e para economia crescer, o governo tem que investir. E para governo investir, é preciso parar com essa babaquice de fazer superávit, fazer superávit, de ter controle fiscal. Porque a grande dívida do Brasil é a taxa de juros que nós pagamos, R$ 1,3 trilhão. O restante é investimento", afirmou Lula durante o comício.

O presidente enfatizou que a principal preocupação não deve ser a manutenção de saldos positivos nas contas públicas, mas sim o controle da taxa de juros, que segundo sua avaliação representa o maior passivo financeiro do país. Esta perspectiva diverge da abordagem tradicional adotada por economistas e analistas financeiros.

Preocupação de analistas com contas públicas

Analistas do mercado financeiro têm manifestado crescente inquietação com a trajetória das contas públicas brasileiras. Segundo avaliação destes profissionais, os déficits fiscais consecutivos dos últimos anos exercem pressão significativa sobre a taxa de juros e consequentemente sobre o endividamento público nacional.

Para reduzir a taxa de juros e conter o crescimento da dívida, especialistas cobram medidas mais robustas de ajuste fiscal por parte do governo. Argumentam que apenas políticas monetárias isoladas não conseguem reverter a trajetória de juros elevados sem estar acompanhadas de responsabilidade fiscal comprovada.

Mecanismos de formação de juros na economia

Economistas observam que reduzir a taxa básica de juros da economia, conhecida como Selic e atualmente em 14% ao ano, por decisão desvinculada de fundamentação técnica não garante automaticamente juros menores no sistema financeiro. A razão reside no fato de que a taxa de juro de longo prazo é determinada pelo mercado e reflete expectativas sobre inflação, atividade econômica futura e gastos públicos.

Quando essas expectativas se deterioram, investidores passam a exigir taxas de remuneração mais altas para financiar o governo, perpetuando o ciclo de juros elevados. Desta forma, Lula critica superávit como instrumento, mas economistas argumentam que a confiança fiscal permanece fundamental para reduzir custos de financiamento.

Ciclo vicioso de endividamento público

Diante da aceleração da dívida pública e aumento da desconfiança sobre as contas do governo, investidores começaram a exigir taxas de juros mais elevadas para financiar o Estado brasileiro. Este movimento eleva significativamente o custo da rolagem da dívida pública, realizada mediante emissão de títulos pelo Tesouro Nacional, aumentando o endividamento brasileiro em um ciclo de difícil reversão.

A dívida pública atingiu 82% do Produto Interno Bruto em junho, representando o maior patamar desde a pandemia de covid-19, com crescimento superior a dez pontos percentuais durante o atual mandato de Lula.

Contradição com programa de governo

As declarações do presidente contradizem explicitamente o plano de governo petista protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que promete uma "política fiscal responsável" para impulsionar investimentos produtivos e alcançar crescimento econômico de longo prazo com redução sustentada da taxa de juros.

O documento oficial afirma que "o resultado fiscal virá, como fizemos até aqui, da retomada do crescimento econômico, do controle do aumento do gasto primário, investindo na melhoria da eficiência e da qualidade do gasto público, da promoção de justiça tributária e do combate aos privilégios e às distorções".

Posicionamentos anteriores do presidente

As declarações também contrariam manifestações recentes do presidente em entrevista à TV Globo no final de agosto, quando garantiu que o país terá superávit e anunciou planos de realizar uma "revolução tecnológica" em eventual novo mandato, com investimentos em inteligência artificial, minerais críticos, terras raras e defesa.

Na ocasião, Lula afirmou que deseja "voltar a fazer com que esse país dispute com o mundo rico" através do domínio sobre minerais críticos e terras raras. O presidente reafirmou seu compromisso com redução de pobreza, ressaltando que já havia "acabado com a fome duas vezes" e que ao retornar ao cargo o país estava "destruído" com déficit de 2,8%, reduzido posteriormente para 0,8%.

Posicionamento do ministério da Fazenda

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem reiterado nas últimas semanas que o governo buscará retomar a trajetória de superávit nas contas públicas a partir de 2027, caso Lula seja reeleito, apresentando contraponto às declarações recentes do presidente.

A proposta orçamentária enviada ao Congresso Nacional contempla projeção de saldo positivo de R$ 18,6 bilhões para o período pós-eleitoral, após previsões de contas no vermelho durante o mandato atual. O objetivo da área econômica é possibilitar redução da taxa de juros, atualmente em 14% ao ano, considerada uma das maiores do mundo em termos reais.

Estratégia de ajuste gradual

As declarações do ministério da Fazenda e a proposta orçamentária contemplam ajuste das contas governamentais equivalente a dois pontos do Produto Interno Bruto em eventual novo mandato presidencial, mantendo ritmo gradual de melhora das contas públicas.

O objetivo central seria conter o crescimento da dívida pública e criar condições para redução da taxa de juros da economia, estabelecendo assim base mais sólida para crescimento econômico sustentado. Este plano de ajuste fiscal gradual busca equilibrar demandas por investimento com necessidade de responsabilidade nas contas públicas.

Também em Economia

Criptomoedas

Ethereum (ETH) $2,525 ▲ 0.45%
BNB $728 ▼ 0.3%
Solana (SOL) $102 ▲ 0.29%
XRP $1.3700 ▲ 0.53%

Divisas

EUR/USD1.1592
USD/JPY154.0400