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Jessé é relembrado em tributo de Moisés Navarro

Jessé é relembrado em tributo de Moisés Navarro
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Moisés Navarro lança álbum 'Alguém cantando' homenageando Jessé, cantor falecido há 33 anos em acidente automóvel que marcou a música brasileira dos anos 1980.

Jessé: uma lenda da música brasileira resgatada por Moisés Navarro

O cantor Jessé, nascido Jessé Florentino Santos em 25 de abril de 1952 em Niterói (RJ), é celebrado através de um novo álbum lançado pelo artista mineiro Moisés Navarro. Intitulado "Alguém cantando" e programado para 13 de novembro pela Companhia de Discos do Brasil, este trabalho resgata a memória de Jessé, grande voz da música brasileira que faleceu há 33 anos em circunstâncias trágicas. O álbum representa uma iniciativa louvável de manter viva a lembrança deste importante intérprete que marcou gerações com sua potente vocalização.

Os primeiros passos de uma carreira singular

A trajetória de Jessé começou de forma peculiar, inserida no contexto dos anos 1970, quando muitos artistas brasileiros adotavam pseudônimos em inglês para simular a identidade de estrelas norte-americanas. Em 1974, após Chris de Burgh lançar internacionalmente a canção "Flying", um jovem cantor brasileiro regravou a música em 1976 com o pseudônimo Christie Burgh. Porém, a similaridade com o nome do astro irlandês de origem argentina gerou ameaças legais, levando-o a adotar o nome Tony Stevens ainda em 1976, mantendo-o até 1977.

Foi precisamente em 1976 que nasceu, há 50 anos, a carreira profissional deste cantor niterói. Ele permaneceria no anonimato até integrar o grupo Placa Luminosa como vocalista, quando finalmente adotou o pseudônimo que o eternizaria: Jessé.

O Festival MPB-80 e a consagração artística

O grande ponto de virada na vida de Jessé ocorreu em 1980, quando participou do Festival MPB-80 transmitido pela TV Globo, defendendo a composição "Porto solidão", escrita por Zeca Bahia com versos do poeta Antonio Ginco, conhecido como Gincko. Esta apresentação transformou-se em um dos maiores sucessos do festival, alçando Jessé a patamares de reconhecimento nacional que moldaram toda sua carreira subsequente.

Quarenta e seis anos depois, "Porto solidão" reaparece em nova interpretação através de Moisés Navarro, que a grava em formato de dueto com Claudya para o álbum "Alguém cantando". Esta escolha demonstra a relevância perene da composição e da performance original que catapultou Jessé ao estrelato.

Uma discografia significativa e influente

Após o sucesso do festival, Jessé lançou seu primeiro álbum em 1980, ainda aproveitando o momentum gerado por "Porto solidão". Este trabalho incluía as composições "Campo minado" (Mário Maranhão, Mário Marcos e Maximiliano) e "Voa, liberdade" (Mário Maranhão, Eunice Barbosa e Mário Marcos), ambas presentes também no novo álbum de tributo.

Em 1982, Jessé gravou seu álbum homônimo, consolidando sua presença no mercado fonográfico com interpretações que demonstravam a versatilidade de seu talento vocal. Incluídas neste trabalho estavam "Onde está você" (Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini), "Solidão de amigos" e outros clássicos que o acompanharam durante sua trajetória.

O álbum duplo ao vivo "O sorriso ao pé da escada" (1983) capturou momentos memoráveis de suas performances, registrando músicas como "A noite do meu bem" (Dolores Duran), "Romaria" e "Irmãos da lua" (ambas de Renato Teixeira), que evidenciavam a capacidade interpretativa singular do artista.

Os últimos registros e o legado interrompido

Já na década de 1990, Jessé continuava sua produção musical. Seu último álbum, "Raízes" (1992), apresentava a canção "Paz do meu amor" (Luiz Vieira), demonstrando que sua criatividade permanecia intacta. Porém, este trabalho seria seu último registro em estúdio antes da tragédia que o acometeu.

Em 29 de março de 1993, Jessé faleceu vítima de um acidente de carro na estrada próxima à cidade de Ourinhos, no interior de São Paulo. Ele completaria apenas 41 anos no mês seguinte. Sua morte repentina deixou uma lacuna significativa na música brasileira, interrompendo uma carreira que ainda possuía muito potencial de desenvolvimento.

O álbum tributo de Moisés Navarro

"Alguém cantando" surge como um projeto de preservação da memória de Jessé, coordenado sob a direção musical do pianista Alexandre Vianna, responsável pelos arranjos das dez faixas do álbum. A escolha do título baseia-se na composição de Caetano Veloso lançada em 1977 no álbum "Bicho" e posteriormente regravada pelo homenageado em 1987 para o álbum "Eterno menino" (1997).

No entanto, críticos observam que mais da metade do repertório selecionado para o tributo não permaneceu na memória coletiva especificamente associado à voz de Jessé. Este aspecto enfraquece, em certa medida, a iniciativa de Moisés Navarro, uma vez que músicas como "Romaria" e "Irmãos da lua", embora tenham sido interpretadas pelo homenageado, não consolidaram-se como marcas pessoais em sua trajetória pública.

Considerações finais sobre este resgate artístico

O lançamento de "Alguém cantando" representa uma oportunidade valiosa para novas gerações conhecerem Jessé e sua contribuição à música brasileira. Apesar das observações críticas sobre a seleção de repertório, a iniciativa de Moisés Navarro demonstra respeito e admiração por um artista cuja voz potente marcou uma época, mesmo que sua carreira tenha sido prematuramente interrompida. O álbum servirá como documento histórico importante sobre a vida e obra deste cantor que, há 33 anos, deixou o palco da música brasileira.

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