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Casa Branca ordena limite ao Starshield ucraniano

Casa Branca ordena limite ao Starshield ucraniano
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Ordem para restringir sistema de satélites Starshield usado pela Ucrânia partiu da Casa Branca, afetando drones e comunicações no campo de batalha.

Origem da ordem para limitar o Starshield ucraniano

A restrição imposta ao Starshield Ucrânia, sistema de satélites crucial para operações militares no país, originou-se de decisões tomadas dentro da Casa Branca, conforme revelaram duas autoridades americanas e um funcionário ocidental com conhecimento do assunto. A informação foi divulgada pela Reuters nesta quinta-feira. Líderes do Departamento de Defesa receberam orientação para que o Starshield, versão militar do Starlink operada pela SpaceX, tivesse seu funcionamento restringido quando utilizado pelas Forças Armadas ucranianas.

Os funcionários que forneceram essas informações, sob condição de anonimato, não identificaram especificamente qual membro da Casa Branca tomou a decisão nem quem foi responsável pela implementação da ordem. O Pentágono representa o principal cliente do Starshield, sistema desenvolvido exclusivamente para operações de defesa nacional e segurança governamental.

Resposta oficial e negações

Quando indagado sobre a ordem para limitar o Starshield, um alto oficial americano afirmou que o presidente não havia feito tal solicitação, em referência a Donald Trump. A Casa Branca permaneceu silenciosa quanto a perguntas sobre a possibilidade de outros membros do governo federal terem emitido o comando. Tanto o Departamento de Defesa quanto a embaixada ucraniana em Washington recusaram-se a comentar sobre o assunto.

Impacto operacional nas forças ucranianas

Autoridades militares da Ucrânia informaram que os receptores do Starlink utilizados para fins militares cessaram suas operações quando instalados em plataformas em movimento de alta velocidade dentro do território ucraniano. Esta limitação afetou significativamente o desempenho dos drones ucranianos, equipamentos que dependem desses receptores para seus sistemas de navegação e orientação autônoma.

Um representante do Ministério da Defesa ucraniano declarou que os receptores retomaram o funcionamento em movimento, contudo com restrição severa: apenas até velocidades de 160 km/h. Esta redução na capacidade operacional prejudica missões de ataque contra posições russas e estruturas logísticas em territórios ocupados, além de comprometer a efetividade dos drones interceptadores utilizados para neutralizar aeronaves Shahed russas que se aproximam do espaço aéreo ucraniano.

Comunicações diplomáticas e buscas de esclarecimentos

Após a implementação das restrições ao acesso ucraniano do Starshield, autoridades de Kiev realizaram contatos telefônicos na terça e quarta-feira com integrantes de alto nível da Casa Branca, Departamento de Estado e Pentágono, conforme confirmou um funcionário sênior ucraniano. Durante essas comunicações, os representantes ucranianos receberam confirmação de que a decisão havia originado-se da Casa Branca, embora detalhes específicos sobre o processo decisório não tenham sido compartilhados.

Contexto político e pressão contra ataques russos

A decisão de restringir temporariamente o sistema de comunicação essencial ocorre simultaneamente ao momento em que o presidente Donald Trump exerce pressão sobre o governo ucraniano para interromper os ataques contra refinarias russas. Trump atribui a elevação dos preços da energia aos bombardeios ucranianos, argumentando que esta situação compromete as perspectivas do Partido Republicano nas eleições legislativas de meio de mandato agendadas para novembro.

Analistas especializados em política energética, porém, divergem dessa interpretação. Segundo esses experts, o aumento substancial nos custos energéticos decorre primariamente do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que resultou em ataques iranianos a instalações energéticas e no fechamento praticamente total do estratégico Estreito de Ormuz, passagem fundamental para o comércio global de petróleo.

Características técnicas e origem do Starshield

O Starshield foi desenvolvido pela SpaceX especificamente para atender clientes governamentais e órgãos de segurança nacional, particularmente o Departamento de Defesa dos Estados Unidos. O sistema aproveita a infraestrutura da constelação de satélites Starlink como base tecnológica, adaptada para aplicações militares sensíveis.

Elon Musk, proprietário da SpaceX, afirmou na quarta-feira que, considerando que os sistemas Starshield pertencem ao governo americano e são controlados pela administração federal, quaisquer restrições de velocidade operacional ou limitações de uso são determinadas exclusivamente pelas Forças Armadas americanas ou pelo presidente em exercício.

Deterioração nas relações bilaterais

As relações entre Ucrânia e Estados Unidos experimentaram deterioração significativa nos últimos dias, particularmente após uma reunião realizada em Miami em 9 de outubro. Esse encontro reuniu representantes de ambas as nações, além de delegações europeias e do Banco Mundial. Durante esse encontro, Jared Kushner, genro de Trump, e Steve Witkoff, enviado presidencial para o Oriente Médio, adotaram postura crítica em relação às ações ucranianas, conforme relatou pessoa familiarizada com as negociações.

Os representantes americanos expressaram frustração com a continuidade dos ataques ucranianos contra refinarias russas, apesar das repetidas solicitações de Washington para a cessação dessas operações. A delegação americana também comunicou a decisão dos EUA de formalizar um acordo de fornecimento de diesel com a Rússia, informando que a Casa Branca esperava que essa medida suavizasse a posição de Moscou nas negociações de paz.

Acordo de combustível e consequências políticas

Conforme o acordo estabelecido, a Rússia fornecerá mais de 2,25 milhões de barris de diesel aos mercados americano e internacional. Essa decisão provocou reações críticas de parlamentares americanos, que argumentam que o acordo fornecerá recursos financeiros a Moscou para prosseguir a guerra sem impor concessões obrigatórias ao presidente russo Vladimir Putin para a conclusão do conflito.

Trocas de críticas entre líderes

Nos dias subsequentes, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e Trump trocaram críticas públicas. Zelensky classificou como "fraca" a posição dos Estados Unidos quanto ao acordo de diesel com a Rússia. Em retaliação, Trump demandou a realização de eleições na Ucrânia e a remoção de Zelensky do poder.

Nos bastidores das negociações, autoridades americanas ameaçaram interromper o fornecimento a Kiev de informações de inteligência sobre lançamentos de mísseis russos, dados fundamentais que a Ucrânia utiliza para prevenir e interceptar ataques aéreos. Trump declarou na terça-feira que os EUA permaneciam compartilhando informações de inteligência com a Ucrânia, buscando mitigar as tensões diplomaticamente.

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