Venezuela e Cuba enfraquecem aliança após prisão de Maduro

Relação estratégica entre Venezuela e Cuba enfraquece após captura de Maduro em 2026. Saiba como mudou a aliança histórica entre os dois países.
A transformação de uma aliança histórica
A relação entre Venezuela e Cuba passa por seu período mais crítico em duas décadas. A ausência de qualquer menção a Cuba no discurso de Delcy Rodríguez na Assembleia Geral das Nações Unidas marcou simbolicamente o enfraquecimento dessa Venezuela e Cuba que outrora eram inseparáveis. Durante vinte anos, nenhum representante venezuelano havia deixado de referenciar a nação caribenha em seus pronunciamentos internacionais, evidenciando a profundidade dos laços construídos entre os dois países.
Hugo Chávez, durante seu governo que se estendeu até 2013, frequentemente descrevia a relação como uma unidade indivisível. Em seu discurso na mesma assembleia em 2009, o então presidente venezuelano mencionou Cuba em onze oportunidades diferentes. Seu sucessor, Nicolás Maduro, continuou essa tradição ao citar o país caribenho treze vezes durante seu pronunciamento de 2015. Essa consistência retórica refletia a profundidade real da cooperação bilateral que permeava diversos setores da vida pública venezuelana.
Da intimidade ideológica ao distanciamento pragmático
A construção dessa Venezuela e Cuba aproximadas iniciou-se em 1999, quando Chávez chegou ao poder e imediatamente estabeleceu laços mais estreitos com a ilha. O fundamento dessa aliança estratégica residia numa troca: petróleo venezuelano fluiria para Cuba em termos preferenciais, enquanto profissionais cubanos se deslocariam para a Venezuela atuando em saúde, educação, cultura e esporte.
A dimensão mais visível dessa cooperação materializou-se através do programa Barrio Adentro, que mobilizou milhares de médicos cubanos para oferecer atendimento básico nas comunidades mais carentes venezuelanas. Essa iniciativa apresentava características similares ao programa brasileiro Mais Médicos, incluindo resistências similares de profissionais locais.
Porém, especialistas em relações internacionais indicam que a verdadeira profundidade da relação residia numa dimensão muito menos publicitada: a presença de agentes cubanos nos órgãos de segurança e inteligência venezuelanos. Frank Mora, professor de relações internacionais da Universidade Internacional da Flórida, explicou que após abril de 2002, Fidel Castro começara a enviar agentes para proteger Chávez e prevenir conspirações nas Forças Armadas.
A infiltração nos órgãos de segurança
A penetração cubana nas estruturas militares e de inteligência venezuelanas atingiu proporções extraordinárias. Os agentes cubanos não se limitavam ao treinamento de pessoal; participavam ativamente de operações de contrainteligência e repressão, particularmente através da Direção Geral de Contrainteligência Militar (Dgcim). Alguns analistas referiram-se a esse processo como uma verdadeira




