Trump ataca Meloni e prevê renúncia de Starmer em redes sociais

Donald Trump critica líderes europeus nas redes sociais, afirmando que Keir Starmer renunciará e questionando apoio de Giorgia Meloni contra o Irã.
Trump lança ataques contra líderes europeus nas redes sociais
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou sua plataforma TruthSocial neste domingo (21) para lançar críticas severas contra líderes europeus. Trump ataca líderes europeus com frequência, e desta vez seus comentários atingiram tanto o primeiro-ministro britânico quanto a premiê italiana. As declarações refletem um crescente distanciamento entre o governo americano e seus aliados tradicionais no continente europeu.
Na rede social, Trump afirmou que Keir Starmer, primeiro-ministro do Reino Unido, deixará seu cargo em breve. O presidente americano criticou a gestão britânica em duas áreas específicas, que ele considera fundamentais para a estabilidade nacional.
Críticas a Starmer sobre imigração e energia
Em sua postagem, Trump acusou Starmer de ter "fracassado feio" em resolver questões críticas relacionadas à imigração e à energia do Reino Unido. O presidente dos EUA ressaltou a importância da exploração de petróleo no Mar do Norte, sugerindo que essa seria uma solução para os problemas energéticos britânicos.
"Keir Starmer renunciará ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido. Ele fracassou feio em dois assuntos muito importantes: IMIGRAÇÃO e ENERGIA (ABRAM A EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO NO MAR DO NORTE!). Desejo-lhe boa sorte!", afirmou o presidente americano em sua publicação.
Essas afirmações representam mais um capítulo nas críticas de Trump aos governos europeus, que ele frequentemente acusa de falta de determinação em questões migratórias e de política energética.
Desafio à Itália sobre ameaça iraniana
Além de Starmer, Trump também direcionou críticas contundentes a Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália. O presidente americano questionou o compromisso italiano em enfrentar o que ele descreve como a "gravíssima ameaça nuclear" do Irã.
"Depois de gastar trilhões de dólares com a OTAN, a Itália e sua primeira-ministra, nem sequer pensariam em se envolver com a República Islâmica do Irã e sua gravíssima ameaça nuclear. Há décadas nós os defendemos, mas, quando colocados à prova, eles não estão lá para nos defender e ao resto do mundo. Não é bom!", declarou Trump.
Essa crítica faz parte de uma série de reclamações que Trump tem feito sobre o que considera falta de reciprocidade dos aliados europeus em questões de segurança internacional, particularmente relacionadas às operações militares envolvendo o Irã.
História controversa sobre foto no G7
As críticas atuais contra Meloni surgem dias após uma controvérsia sobre um alegado incidente durante a cúpula do G7. Trump afirmou que a premiê italiana o havia "implorado" para tirar uma foto com ele, enquanto ela negou completamente a versão do presidente americano.
Em entrevista à TV La7, Trump disse: "Ela me implorou para tirar uma foto com ela. Ela queria muito uma foto comigo. Eu não teria tirado, mas fiquei com pena dela".
Meloni respondeu negativamente às acusações, descrevendo as declarações como "completamente inventadas". A primeira-ministra italiana expressou surpresa com o comportamento de Trump e repreendeu o presidente por demonstrar maior deferência aos inimigos do Ocidente do que aos antigos aliados europeus.
Reação de autoridades italianas
As declarações de Trump provocaram reações indignadas do governo italiano. O chanceler da Itália, Antonio Tajani, anunciou o cancelamento de uma viagem programada aos Estados Unidos, onde se encontraria com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em protesto contra as palavras do presidente dos EUA.
"As palavras graves e ofensivas do presidente Trump em relação à primeira-ministra Giorgia Meloni ofendem toda a Itália", afirmou Tajani na rede social X.
Giovanbattista Fazzolari, subsecretário do gabinete de Meloni e um de seus aliados políticos mais próximos, também se pronunciou criticando a postura de Trump. Segundo Fazzolari, os "rompantes inadequados" do presidente americano conseguiram "tornar os Estados Unidos impopulares em todo o continente europeu, prejudicando não apenas a Europa, mas sobretudo os Estados Unidos".
História do relacionamento entre Trump e Meloni
O contexto atual de críticas mútuas contrasta significativamente com o relacionamento anterior entre Trump e Meloni. Os dois foram considerados aliados próximos, compartilhando posições semelhantes em temas como combate à imigração ilegal e críticas a agendas progressistas.
Meloni sempre foi vista como uma das líderes europeias mais próximas de Trump. A aproximação entre eles começou antes mesmo de ela chegar ao poder, quando recebeu o ex-conselheiro de Trump, Stephen Bannon, em uma conferência conservadora na Itália em 2018.
Quando Trump retornou à Casa Branca em 2025, Meloni foi a única líder europeia presente na cerimônia de posse em Washington. A premiê frequentemente elogiava as políticas do republicano e passou a ser vista como um nome de confiança dos EUA na Europa.
Mudança de clima entre os aliados
O relacionamento começou a se deteriorar significativamente a partir de abril, quando Trump anunciou tarifas comerciais contra dezenas de países, incluindo aliados europeus. Meloni afirmou que os Estados Unidos estavam cometendo um erro ao taxar produtos do continente.
Apesar dessa desavença inicial, Meloni viajou a Washington no mesmo mês para se reunir com Trump na Casa Branca. O encontro, realizado diante de jornalistas no Salão Oval, foi marcado por elogios mútuos, levando analistas a apontarem a premiê como uma possível ponte entre EUA e Europa.
Em outubro, durante um evento no Egito para a assinatura de um acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza, Trump fez comentários sobre a aparência de Meloni. "Na América, se você disser a uma mulher que ela é bonita, sua carreira política acabou. Mas eu assumo o risco", disse Trump, descrevendo Meloni como "incrível" e "bem-sucedida".
Questões estratégicas aprofundam a crise
A situação ganhou novos contornos em janeiro, quando Trump voltou a defender a anexação da Groenlândia, proposta rejeitada por países europeus. Meloni tentou se equilibrar entre um tom conciliador e outro mais firme em suas respostas públicas sobre o tema.
Em fevereiro, quando os Estados Unidos atacaram o Irã em ação conjunta com Israel, a Itália foi surpreendida pela operação. O ministro da Defesa italiano estava de férias nos Emirados Árabes e precisou ser resgatado em um jato militar, gerando críticas da oposição italiana.
O ataque ao Irã elevou os preços de gás e energia na Itália, prejudicando a economia do país. Nesse contexto, Meloni passou a condenar publicamente a guerra e afirmou que a Itália não participaria do conflito. O ministro da Defesa italiano declarou que o ataque contra o Irã "ocorreu fora das normas do direito internacional".
Posicionamento político de Meloni
Especialistas avaliam que Meloni se aproveitou da crise entre Trump e o papa para criar distância do presidente norte-americano. Analistas acreditam que um afastamento definitivo poderia melhorar a percepção de eleitores italianos incomodados com as ações dos Estados Unidos.
Na terça-feira (14), em mais um gesto nesse sentido, Meloni anunciou que a Itália não renovaria um acordo de defesa com Israel, após disparos de advertência atingirem um comboio italiano na missão de paz da ONU no sul do Líbano.
Paralelamente, autoridades italianas tentam minimizar o impacto da controvérsia. Adolfo Urso, ministro das Empresas e do Made in Italy, afirmou que as relações entre Estados Unidos e Itália permanecerão sólidas, ressaltando que os dois países são aliados e mantêm sua relação dentro das instituições internacionais, particularmente na Aliança Atlântica.
Perspectiva futura das relações bilaterais
Mariangela Zappia, ex-embaixadora da Itália nos Estados Unidos, afirmou que a crise pessoal entre Meloni e Trump não deve afetar significativamente as relações entre os dois países. Segundo ela, Trump tem agido de forma impulsiva após se frustrar com a Europa em relação às questões do Irã.
"A Europa considera absolutamente os Estados Unidos um aliado histórico, mas, de certa forma, quer participar das decisões que são tomadas", disse Zappia à Associated Press, sugerindo que o problema central reside em questões de comunicação e coordenação diplomática entre as potências.
Enquanto Trump insiste que a relação entre os dois países se deteriorou, afirmando que "qualquer um que se recusou a nos ajudar nessa questão do Irã não tem mais o mesmo relacionamento conosco", as autoridades italianas procuram manter o equilíbrio entre responder às provocações do presidente americano e preservar a aliança histórica entre as nações.




