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Péricles domina Palco Sunset com tributo soul e R&B no Rock in Rio

Péricles domina Palco Sunset com tributo soul e R&B no Rock in Rio
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Péricles apresenta show exclusivo dedicado à Motown Records no Rock in Rio, afastando-se do pagode para explorar clássicos do soul norte-americano.

Péricles ressignifica carreira com tributo à Motown no Festival

O artista consagrado no universo do samba e pagode transformou sua apresentação no Palco Sunset do Rock in Rio em um espetáculo dedicado exclusivamente ao legado musical da Motown Records. Péricles deixou sua discografia tradicional em segundo plano para mergulhar em sucessos do soul e R&B norte-americanos, demonstrando dimensões vocais raramente exploradas em seus projetos anteriores. A performance, criada especialmente para o festival, marcou um divisor de águas na trajetória artística do "Rei da Voz".

Uma noite de homenagem à gravadora histórica

A Motown Records, fundada em 1959 pelo produtor Berry Gordy Jr., revolucionou a indústria musical ao produzir e lançar predominantemente artistas negros durante a era de segregação racial nos Estados Unidos. Péricles abraçou plenamente este conceito, transformando seu show em um tributo vivo aos gigantes que moldaram a black music moderna. A apresentação foi idealizada por Zé Ricardo, vice-presidente artístico da Rock World, e aceita imediatamente pelo artista, que identificou na proposta uma oportunidade única de expandir seus horizontes musicais.

Inspiração corporativa e empreendedorismo

Durante entrevista prévia ao evento, Péricles revelou como a trajetória da Motown o inspirou a criar sua própria estrutura empresarial. A Farias Produções, seu selo pessoal, nasceu justamente da admiração pelos modelos independentes de sucesso implementados pela gravadora histórica. "Exemplos como o Motown mexem com a gente", afirmou o artista, ratificando sua percepção sobre empreendedorismo no segmento musical.

O setlist que surpreendeu o público

A apresentação contou com catorze faixas que percorreram décadas de clássicos da música norte-americana. Vestindo figurino prateado e uma capa estampada com ícones da Motown, Péricles abriu com "Ain't No Mountain High Enough" de Marvin Gaye, seguido por "I Want You Back" do Jackson 5. A sequência incluiu pérolas como "My Girl" (The Temptations), "Cruisin'" (Smokey Robinson), "I'll Be There" (Jackson 5), "End of the Road" (Boyz II Men), "Let's Get It On" e "All Night Long" (Lionel Richie), consolidando a presença dos mestres da Motown.

Encerramento memorável

"Superstition" de Stevie Wonder e "ABC" do Jackson 5 fecharam o espetáculo, deixando claro que Péricles permaneceu fiel ao repertório proposto durante toda a noite. Notavelmente, "Stand by Me", clássico que o artista costumava incluir regularmente em apresentações anteriores, não figurou no setlist, confirmando seu compromisso exclusivo com o catálogo Motown.

Estrutura profissional e preparação intensiva

Uma banda de nove músicos e quatro backing vocals, especialmente montada para este festival, acompanharam Péricles em cada momento da performance. O artista demonstrou conforto e naturalidade no palco, dançando, gesticulando e interagindo com o público de forma orgânica. Impressionantemente, os ensaios foram realizados simultaneamente à produção e gravação de seu novo álbum, agendado para lançamento no final de setembro, evidenciando a dedicação profissional envolvida.

Versatilidade vocal como diferencial competitivo

A alcunha de "Rei da Voz" ganhou novos significados durante a apresentação. Péricles não apenas dominou vocalmente clássicos de soul consolidados, mas também demonstrou a plasticidade necessária para ressignificar essas canções em seu registro pessoal. Espectadores que compareceram à apresentação abertos a uma experiência diferenciada testemunharam a amplitude técnica e interpretativa do artista, afastando-se das expectativas convencionais associadas a sua carreira anterior.

Contraste com repertório tradicional

Aqueles que esperavam ouvir éxitos como "Até Que Durou", "Melhor Eu Ir" ou relembranças do Exaltasamba podem ter saído do Palco Sunset com sentimentos contraditórios. No entanto, a proposta de Péricles transcendia a simples apresentação de sucessos, buscando reinventar-se artisticamente em um contexto de grande repercussão nacional.

Perspectivas futuras no Rock in Rio

Embora Péricles tenha se apresentado no Palco Sunset, existe abertura no festival para artistas do segmento samba-pagode no Palco Favela, espaço que já recebeu nomes como Belo. O artista já expressa disposição em retornar ao festival e defender o samba enquanto movimento cultural revolucionário. "Quando a gente fala de rock, a gente fala da atitude rock and roll, atitude de revolucionar. O samba já vem mostrando isso há muito tempo", declarou ao G1, argumentando pela inclusão de vertentes musicais que compartilham a mesma filosofia transformadora do rock.

Narrativa sobre inclusão musical

A trajetória de Péricles no Rock in Rio 2026 simboliza a fluidez contemporânea entre gêneros musicais e a importância de espaços inclusivos que celebrem a diversidade estética. Sua performance foi menos sobre abandono de identidade e mais sobre expansão de possibilidades artísticas, reafirmando seu status como intérprete versátil capaz de transitar entre universos sonoros distintos mantendo excelência técnica e autenticidade interpretativa.

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