Municípios de Rondônia eliminam lixões a céu aberto

Região central de Rondônia avança na eliminação de lixões a céu aberto com implantação de aterros sanitários. Conheça o processo de transição ambiental.
Municípios de Rondônia eliminam lixões a céu aberto com nova estrutura sanitária
A região central de Rondônia atravessa uma transformação significativa na gestão ambiental. Seis municípios com aproximadamente 200 mil habitantes estão em processo de encerramento dos lixões a céu aberto, cumprindo as determinações da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Diariamente, mais de 140 toneladas de resíduos eram descartadas de forma inadequada, causando graves impactos ao ecossistema local.
Os municípios de Ji-Paraná, Ouro Preto do Oeste, Vale do Paraíso, Mirante da Serra, Nova União e Urupá implementam soluções estruturadas para destinação correta dos resíduos. A legislação federal estabeleceu o prazo de 31 de julho para que as cidades finalizem a extinção completa dos depósitos inadequados, canalizando todo o material para aterros sanitários modernos.
Impacto ambiental dos lixões e necessidade de mudança
Os lixões a céu aberto representam ameaça permanente ao meio ambiente e à saúde pública. Além de atrair fauna peçonhenta e urubus, esses espaços contaminam o solo e comprometem as reservas de água subterrânea. A ausência de isolamento adequado permite que o chorume infiltre-se no lençol freático, tornando inviável o uso da água em várias comunidades da região.
A implementação de aterros sanitários marca uma mudança de paradigma na gestão municipal. Diferentemente dos lixões tradicionais, essas estruturas modernas possuem sistemas de impermeabilização, tratamento de efluentes e controle de emissões atmosféricas.
Aterro sanitário em Ji-Paraná: modelo de solução regional
Ji-Paraná, distante 370 quilômetros de Porto Velho, lidera o processo de transformação. Localizada a 370 quilômetros da capital estadual, a cidade é responsável pela maior geração de resíduos da região, com 100 toneladas diárias. Um aterro sanitário de iniciativa privada encontra-se em fase final de construção na Zona Rural municipal.
A obra iniciou-se em junho, com previsão de conclusão em 180 dias. A empresa responsável já possui dois aterros operacionais em Rondônia: um em Cacoal e outro em Vilhena, ambos atendendo cidades vizinhas e municípios do Mato Grosso. A nova estrutura tem capacidade de processar 300 toneladas diárias, atendendo aos seis municípios da região central.
Tecnologia e segurança ambiental nos novos aterros
Segundo a coordenadora do Programa Ambiental, Maria Aparecida de Oliveira, o aterro sanitário garante proteção efetiva do ambiente. O sistema de isolamento impede contato direto entre os resíduos e o solo, evitando contaminação do lençol freático. O chorume passa por tratamento fisicoquímico antes de qualquer descarga, eliminando riscos de poluição do solo.
A estrutura inclui ainda uma central de triagem para reciclagem de materiais. Barracões climatizados estão sendo disponibilizados para catadores de lixo em vários municípios, proporcionando condições higiênicas e seguras para a separação de resíduos recicláveis.
Situação de cada município na transição
Ji-Paraná: maior desafio regional
Ji-Paraná produz 100 toneladas de lixo diariamente. Secretaria de Meio Ambiente realiza levantamentos para transferência total para o aterro sanitário. Associação de 20 catadores trabalha há quase dois anos em barracão adequado.
Ouro Preto do Oeste: segunda maior produção
Ouro Preto do Oeste gera aproximadamente 28 toneladas de resíduos sólidos diários. Planejamento está em andamento para encaminhamento ao aterro sanitário. Associação de 24 catadores está sendo oficialmente registrada para atuar no município.
Nova União: adaptação rápida
Com 8 mil habitantes, Nova União produz 1,3 toneladas diárias. Municipio alugou barracão para 10 catadores separarem material reciclável, enquanto resíduos não aproveitáveis seguem diretamente para Ji-Paraná.
Mirante da Serra: integração de catadores
Cerca de 12 catadores serão beneficiados por associação formal. Todo material não reciclável segue para o aterro sanitário em Ji-Paraná, segundo Secretaria de Meio Ambiente local.
Urupá: transporte organizado
Com pouco mais de 13 mil habitantes, Urupá transporta resíduos para o aterro sanitário de Ji-Paraná três vezes semanalmente, segundo cronograma estabelecido pela Secretaria de Meio Ambiente.
Vale do Paraíso: implantação de cooperativa
Produzindo duas toneladas diárias, Vale do Paraíso encaminha lixo para aterro sanitário. Cooperativa de reciclagem será instalada em 15 dias. Secretaria não divulgou prazo específico para fechamento total do lixão existente.
Caso de sucesso: Teixeirópolis já sem lixão
Teixeirópolis já completou a transição, não possuindo mais lixão a céu aberto. Desde janeiro, toda coleta é transportada para o aterro sanitário de Cacoal. O antigo local de descarte foi reflorestado, demonstrando possibilidade de recuperação ambiental pós-encerramento.
Benefícios sociais e ambientais da transição
A eliminação dos lixões traz benefícios multifatoriais. Ambientalmente, reduz contaminação de solos, águas subterrâneas e atmosfera. Socialmente, proporciona condições dignas para catadores, que passam a trabalhar em espaços apropriados com proteção contra intempéries e riscos ocupacionais.
A criação de um programa ambiental em outubro de 2010 dentro do consórcio intermunicipal possibilitou coordenação efetiva entre os municípios, garantindo sinergia nas ações e otimização de recursos públicos para a gestão adequada de resíduos sólidos em toda a região central de Rondônia.




