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Momo lança 'Tum tum tum': álbum afro-brasileiro

Momo lança 'Tum tum tum': álbum afro-brasileiro
Fonte: g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/06/20/momo-se-deixa-levar-pela-ritmica-afro-brasileira-em-tum-tum-tum-oitavo-album-em-20-anos-de-obra-fonografica.ghtml

Momo lança seu oitavo álbum 'Tum tum tum' com influências afro-brasileiras e ritmos de samba. Confira a crítica completa do novo trabalho do artista.

Momo apresenta novo álbum com foco em ritmos brasileiros

O cantor e compositor Marcelo Frota, conhecido artisticamente como Momo, acaba de lançar seu oitavo álbum intitulado 'Tum tum tum', um trabalho que mergulha profundamente nas tradições do álbum afro-brasileiro. Após vinte anos desde seu primeiro disco 'A estética do rabisco' (2006), o artista mineiro radicado em Londres apresenta uma produção que sintetiza sua trajetória musical através de influências rítmicas ancestrais.

O novo projeto foi gravado e mixado em Londres entre setembro e novembro de 2025, masterizado em Nova York em janeiro de 2026, e lançado oficialmente em 19 de junho deste ano pelo selo indie alemão Agogo Records. A produção também ganhou formato físico em LP, com arte visual assinada por Raissa Pardini e Conor Lumsden, reafirmando o compromisso do artista com a qualidade fonográfica.

A essência rítmica do trabalho

Como o título onomatopaico sugere, 'Tum tum tum' é construído sobre estruturas rítmicas que privilegiam as levadas afro-brasileiras, com destaque para o samba e o ijexá. O álbum afro-brasileiro apresenta oito faixas cuidadosamente compostas, iniciando com 'Egum eô', uma parceria entre Momo e Wado, artista que também integra a cena indie experimental brasileira.

Momo explica sua abordagem criativa: "Eu sempre transitei livremente por caminhos estéticos diferentes. Desde o começo da minha carreira, nos meus primeiros discos, o folk psicodélico já ditava o tom das minhas canções. Ao longo dos últimos anos e trabalhos, fui introjetando o samba e ritmos mais brasileiros à minha identidade. O 'Tum tum tum' funciona como um apanhado e uma síntese madura de todos os estilos que acumulei na bagagem".

Parcerias e colaborações notáveis

O trabalho apresenta diversas colaborações com artistas de destaque. O álbum afro-brasileiro inclui a participação de Marcos Valle, ícone da bossa nova internacional, que toca piano elétrico em 'Morena', uma envolvente composição que também marca a assinatura de Marcelo Camelo, que produziu o quinto álbum de Momo, 'Voá' (2017).

A cantora Nina Miranda, vocalista da banda inglesa Smoke City, participa do dueto bilíngue 'Canto de aldeia', composto por Momo, Wado e a própria Nina Miranda. A faixa apresenta vocais em português e inglês, refletindo a dimensão internacional do projeto.

Destaque para as composições autorais

'Dente d'ouro', uma parceria tríplice entre Momo, Marcelo Camelo e Wado, emerge como uma das composições mais refinadas do álbum. A faixa se caracteriza por arranjos encorpados com órgãos e sopros, apresentando uma qualidade melódica e harmônica superior ao restante da produção.

'Tudo que se tem' é outro ponto alto, evoluindo na cadência estilizada do ijexá com letras poéticas que mencionam o afoxé: "No dançar da primavera / No desenho nas suas costas / Sob o linho mora o rio / Do teu corpo de rosa".

Arranjos e estrutura musical

Os arranjos do álbum afro-brasileiro foram desenvolvidos coletivamente por Momo em parceria com o baterista francês Thomas Broda e o percussionista Jim Le Mesurier. Este trabalho colaborativo resultou em texturas sonoras que equilibram o frescor instrumental com a profundidade rítmica característica das tradições brasileiras.

'Dream of samba', composta em inglês por Momo em parceria com Luiz Bruno, carrega um clima levemente psicodélico que marca o público-alvo internacional do projeto. A faixa reflete a absorção e consumo da música de Momo pelos mercados europeus, onde o artista construiu sua reputação após residir em Portugal e posteriormente em Londres.

O encerramento e reflexões finais

O álbum encerra com 'Tranquilo', uma sambossa-canção composta por Momo com Thiago Camelo durante sua permanência em Lisboa. Esta faixa final evolui em clima zen, com percussão suave e o sopro cool de um saxofone, apresentando uma dimensão melódica mais prominente que contrasta com o tom rítmico dominante do trabalho.

Apesar de apresentar um caráter melódico mais rarefeito em comparação a obras anteriores como 'Serenade of a sailor' (2011), o álbum afro-brasileiro mantém repertório de bom nível. O projeto representa uma síntese madura da evolução artística de Momo, consolidando sua posição no cenário musical contemporâneo onde a tradição brasileira dialoga com sensibilidades estéticas internacionais.

Com 'Tum tum tum', Momo demonstra como um artista pode enraizar-se nas tradições rítmicas de sua origem enquanto se projeta para públicos globais, criando uma linguagem musical que honra o passado sem renunciar à inovação sonora.

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