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Mateus Aleluia exibe transcendência em show solo no Rio de Janeiro

Mateus Aleluia exibe transcendência em show solo no Rio de Janeiro
Fonte: g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/07/11/mateus-aleluia-canta-a-nobreza-do-amor-em-transcendental-show-solo-no-rio.ghtml

Mateus Aleluia realiza apresentação solo transcendental no Teatro Nelson Rodrigues no Rio. Veja como o cantor baiano encantou o público com voz e violão.

Mateus Aleluia leva espiritualidade ao palco carioca

Mateus Aleluia protagonizou na noite de sábado, 11 de julho, um espetáculo solo que transcendeu os limites convencionais de um simples show musical. A apresentação de Mateus Aleluia no Teatro Nelson Rodrigues reuniu centenas de espectadores em busca de uma experiência transformadora, onde a voz e o violão do artista baiano de 82 anos funcionaram como instrumentos de conexão espiritual com a plateia. Desligar o relógio das urgências cotidianas tornou-se necessário para compreender plenamente a magnitude dessa performance única.

A linguagem espiritual através do canto

Durante o show, Mateus Aleluia compartilhou com o público sua visão sobre a arte vocal. "O canto fala tudo o que sentimos sem contornos. É uma linguagem espiritual. Falamos de dentro", declarou o integrante mais famoso do grupo Os Tincoãs. Essa filosofia permeou toda a performance, transformando cada nota em um veículo de mensagens que transcendiam o meramente musical, atingindo camadas profundas da alma humana.

Uma rara apresentação após quatro anos

A volta de Mateus Aleluia aos palcos cariocas representou um marco significativo. Excluindo uma participação em festival em 2022, o cantor não realizava um show solo na cidade do Rio de Janeiro desde 2017. Essa raridade intensificou o valor da apresentação, transformando-a em um evento aguardado por fãs dedicados. Uma segunda apresentação foi agendada para o domingo, 12 de julho, porém os ingressos já estavam esgotados antes do primeiro show.

Ancestralidade e profundidade vocal

No palco do Teatro Nelson Rodrigues, apenas a voz, o violão e a imensidão da alma de Mateus Aleluia preenchiam o espaço. Sua voz grave e profunda funcionava como um fio condutor de memória ancestral, puxando os espectadores para uma jornada através dos séculos. A ausência de acompanhamento orquestral – diferentemente da recente apresentação em Salvador com a Orquestra Afrosinfônica sob regência do maestro Ubiratan Marques – revelava a força bruta e a autossuficiência do artista em cena, elevando a performance a dimensões verdadeiramente transcendentes.

O repertório que toca a alma

O setlist aberto com "Homem! O animal que fala" (2009) estabeleceu a tonalidade espiritual do show. Composições como "Sonhos cor de criola" e "Filho de rei", ambas do álbum "Fogueira doce" (2020), foram apresentadas com a profundidade que caracteriza Mateus Aleluia como um mestre da música espiritual. A apresentação encerrou-se sem bis com "Fogueira doce", título que resumia a experiência: um fogo de calor suave aquecendo corações e almas.

A nobreza do amor como tema central

Enquanto revolveu memórias afetivas de sua rica vivência na África e em sua cidade natal de Cachoeira (BA), Mateus Aleluia cantou a nobreza do amor em todas as suas manifestações. Esse canto que emergia de dentro do artista trazia paz e serenidade, harmonizando o espírito de quem se entregava completamente à experiência. Comparável ao que Gilberto Gil uma vez qualificou como "Buda Nagô" em referência a Dorival Caymmi, Mateus Aleluia personifica uma divindade encarnada em forma de artista.

Dor e sabedoria no canto tradicional

O maior sucesso dos Tincoãs, "Cordeiro de Nanã" (parceria de Mateus Aleluia e Dadinho de 1977), foi apresentado entremeado com um lamento em forma de fala. Esse momento revelou como o canto de Mateus Aleluia também carrega as dores acumuladas do povo negro através dos séculos. Contudo, essas dores são amenizadas com a sabedoria daqueles que encontraram a paz de espírito e que extraem na música o alimento genuíno para a alma. A composição de 2017, "Eu vi Obatalá", proclamada com convicção, deixava claro que Mateus Aleluia não apenas interpreta, mas vive e sente cada verso que canta.

O encerramento e a reciprocidade da energia

Ao final do show, o artista agradeceu o público com uma observação significativa: estava "abastecido". Porém, a verdade mais profunda era que foi o próprio Mateus Aleluia quem abasteceu a plateia com uma música capaz de alimentar a alma e emanar boas vibrações. Aqueles dispostos a se entregar completamente à experiência de ver um show solo de Mateus Aleluia saíram da noite de 11 de julho transformados, levando consigo a transcendência que apenas esse mestre da música espiritual consegue transmitir. A apresentação funcionou como um ritual de renovação espiritual, consolidando o legado de Mateus Aleluia como uma entidade viva de ancestralidade e sabedoria musical no cenário cultural brasileiro.

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