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Lúcia Viveiros, primeira mulher a presidir Câmara, falece aos 91

Lúcia Viveiros, primeira mulher a presidir Câmara, falece aos 91
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Lúcia Viveiros, primeira mulher a presidir sessões da Câmara dos Deputados, morre aos 91 anos em Belém. Conheça sua trajetória política.

Falecimento de Lúcia Viveiros marca fim de trajetória histórica

Lúcia Viveiros, primeira mulher a presidir sessões da Câmara dos Deputados brasileiro, faleceu no dia 11 de abril em Belém, aos 91 anos de idade. O sepultamento foi realizado no dia seguinte, confirmado pela família da pioneira política paraense que deixa um legado significativo na história legislativa do país.

Lúcia Viveiros foi eleita deputada federal pelo estado do Pará em duas ocasiões distintas durante sua carreira parlamentar, representando importantes marcos para a presença feminina nas instâncias decisórias do Brasil. Sua atuação transcendeu os limites do Congresso Nacional, marcando presença também nas esferas estaduais de poder.

Pioneirismo na Câmara dos Deputados

De acordo com registros biográficos da Câmara dos Deputados, primeira mulher a presidir sessões da instituição foi justamente Lúcia Viveiros, consolidando seu nome entre as figuras mais relevantes do Parlamento brasileiro. Este feito representou um passo monumental na luta pela igualdade de gênero nas estruturas políticas nacionais durante período marcado por resistências institucionais.

Eleita pelo MDB em 1979, Lúcia Viveiros conquistou seu primeiro mandato como deputada federal. Posteriormente, foi reeleita em 1983 pela legenda do PDS, demonstrando sua capacidade de manter apoio político consistente junto ao eleitorado paraense ao longo de diferentes períodos políticos.

Atuação na Assembleia Legislativa estadual

Além de sua presença no Congresso Nacional, Lúcia Viveiros exerceu dois mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), permanecendo na casa legislativa estadual entre 1979 e 1987. Este período na Alepa permitiu que consolidasse sua influência política nos debates que afetavam diretamente a população paraense.

Defesa dos direitos das mulheres

Na década de 1970, Lúcia Viveiros direcionou seus esforços para questões fundamentais relacionadas aos direitos femininos e à assistência social. Em 1975, fundou e presidiu a Legião da Mulher Paraense (Lempa), organização que se dedicava à promoção de assistência jurídica e social para mulheres em situação de vulnerabilidade.

Esta instituição representou um espaço de acolhimento e orientação para mulheres paraenses, oferecendo suporte legal e social em época na qual o acesso a tais serviços era bastante limitado. A atuação através da Lempa demonstrou o compromisso de Lúcia Viveiros com causas sociais além da esfera exclusivamente política.

Gestos revolucionários e quebra de tabus

Um episódio marcante na trajetória de Lúcia Viveiros ocorreu durante a década de 1970 em Belém, quando tornou-se a primeira mulher a entrar no plenário da Câmara dos Deputados usando calças compridas. Este gesto, aparentemente simples nos dias atuais, foi considerado ousado e revolucionário para os padrões sociais da época, refletindo as restrições de comportamento impostas às mulheres na sociedade brasileira.

A decisão de usar calças compridas no ambiente legislativo representava uma afirmação de liberdade e autonomia feminina, desafiando expectativas sociais restritivas que persistiam mesmo entre as elites políticas. Este ato simbólico complementava sua luta mais ampla pela igualdade de direitos e oportunidades para as mulheres brasileiras.

Carreira profissional multifacetada

Além de sua destacada atuação política, Lúcia Viveiros possuía formação em engenharia, área predominantemente masculina na época de sua formação profissional. Atuou como professora universitária, transmitindo conhecimento para gerações de estudantes e contribuindo para o desenvolvimento educacional no Pará.

Sua presença também foi marcante no campo da comunicação, trabalhando como comunicadora em emissoras de rádio e televisão. Esta versatilidade profissional demonstra um perfil de mulher moderna, engajada em múltiplas frentes de atuação social e profissional, sempre buscando ampliar espaços de participação feminina em campos historicamente dominados por homens.

Legado político e reconhecimento institucional

A Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) manifestou-se através de nota oficial expressando pesar pelo falecimento de Lúcia Viveiros, reconhecendo seu legado histórico como primeira deputada federal eleita pelo estado do Pará. Esta manifestação institucional reafirma a importância de sua contribuição para a história política paraense e brasileira.

O reconhecimento póstumo de sua importância histórica evidencia como Lúcia Viveiros transcendeu seu tempo, deixando marcas duradouras nas estruturas políticas e sociais do Brasil. Sua trajetória permanece como inspiração para futuras gerações de mulheres que buscam espaços de poder e influência política, demonstrando que a persistência e o engajamento podem abrir caminhos até então fechados para as mulheres.

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