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IBM sofre maior queda desde 1972 após falha em IA

IBM sofre maior queda desde 1972 após falha em IA
Fonte: g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/07/14/ceo-da-ibm-admite-impacto-da-ia-nos-negocios-e-acoes-tem-maior-queda-desde-1972.ghtml

CEO da IBM admite falha em adaptação ao boom de IA. Ações caem 25%, perdendo US$ 68 bilhões em valor de mercado no segundo trimestre.

IBM enfrenta maior desvalorização em cinco décadas

A IBM vivenciou um dos seus piores momentos desde sua criação ao anunciar uma queda de 25% em suas ações, marcando a maior desvalorização desde 1972. Essa IBM queda ações IA reflete a incapacidade da empresa em se adaptar rapidamente às mudanças no comportamento dos investimentos de seus clientes. Em comunicado aos acionistas, o CEO Arvind Krishna reconheceu que a companhia falhou em acompanhar as transformações do mercado tecnológico, especialmente aquelas impulsionadas pelo crescimento exponencial da inteligência artificial.

A desvalorização resultou na perda de US$ 68 bilhões em valor de mercado, conforme levantamento da Elos Ayta. Essa queda expressiva foi desencadeada pela divulgação de resultados abaixo das expectativas para o segundo trimestre de 2026, com destaque negativo para a divisão de infraestrutura, que registrou uma retração de 7% na receita.

Resultado trimestral abaixo das expectativas

Os números do segundo trimestre de 2026 revelaram deficiências significativas na capacidade operacional da IBM. A receita total atingiu US$ 17,2 bilhões, representando um crescimento modesto de apenas 1% na comparação anual. Embora outras divisões tenham apresentado desempenho melhor — a divisão de software cresceu 5% e o lucro por ação ajustado subiu 5%, alcançando US$ 2,93 — a área de infraestrutura decepcionou.

Krishna atribuiu o desempenho insatisfatório à execução inadequada de suas equipes durante o trimestre. Em suas palavras aos investidores: "Essas condições exigiam que nossas equipes executassem perfeitamente, e neste trimestre falhamos. Não nos adaptamos e não nos movemos rápido o suficiente". O CEO também mencionou que diversos grandes contratos não foram concluídos conforme os prazos previstos, constituindo a maior parcela do impacto negativo nos resultados.

O impacto da inteligência artificial nas prioridades de investimento

A transformação nos gastos de capital dos clientes da IBM está intrinsecamente ligada ao boom da inteligência artificial. Nas últimas semanas de junho, empresas de diversos setores reorientaram significativamente seus investimentos em infraestrutura tecnológica. Em vez de seguir os cronogramas tradicionais de compras dos produtos convencionais da IBM, os clientes direcionaram parte considerável de seus orçamentos para adquirir servidores, armazenamento e memória, objetivando assegurar equipamentos antes de possíveis restrições de oferta e elevação de preços.

Essa mudança estratégica refletiu a acelerada demanda por infraestrutura robusta capaz de sustentar a inteligência artificial. A IBM antecipava certos impactos relacionados à cadeia de suprimentos, porém subestimou a intensidade e a velocidade dessa reconfiguração nas prioridades de investimento de seus clientes. O resultado foi uma desconexão entre as expectativas internas da empresa e a realidade do mercado.

Mainframes em declínio e infraestrutura moderna em crescimento

Os tradicionais mainframes Z da IBM, computadores de grande porte que historicamente representavam uma parte essencial dos negócios da empresa, sofreram uma queda de 7% na receita. Igualmente afetados foram os softwares associados a esses equipamentos, particularmente aqueles voltados ao processamento de transações, segmento que caracterizou a força da IBM por décadas.

Contrariamente, a infraestrutura distribuída — que engloba servidores, armazenamento e soluções direcionadas a ambientes tecnológicos contemporâneos — apresentou o melhor desempenho histórico da companhia. Esse segmento registrou um crescimento impressionante de 37% durante o trimestre, indicando que a IBM ainda possui força em áreas alinhadas com as novas prioridades tecnológicas, ainda que tenha falhado em comunicar essa realidade adequadamente aos mercados.

Estratégia de longo prazo e investimentos em IA

Apesar do reconhecimento da falha operacional, o CEO Arvind Krishna reafirmou a confiança da IBM em sua estratégia de longo prazo. Segundo ele, "nosso trabalho é ajudar nossos clientes a atravessar períodos de incerteza e encontrar caminhos para crescer seus negócios, independentemente do que esteja acontecendo no ambiente externo".

A empresa mantém seu foco em investimentos substanciais em inteligência artificial e computação quântica. A IBM anunciou o Lightwell, uma iniciativa de US$ 5 bilhões destinada a desenvolver novas capacidades de IA para criar uma plataforma de confiança no gerenciamento de vulnerabilidades em softwares de código aberto. Essa iniciativa conta com a participação de mais de 20 mil engenheiros e já apresenta adoção inicial por grandes instituições financeiras.

Investimentos em computação quântica

No campo da computação quântica, a IBM planeja investir mais de US$ 10 bilhões nos próximos cinco anos em pesquisa, desenvolvimento, fabricação, aquisições e expansão de seu ecossistema. A companhia mantém a ambiciosa meta de entregar o primeiro computador quântico de grande escala tolerante a falhas até 2029, reforçando seu compromisso com tecnologias de fronteira.

Perspectivas para o mercado e investidores

O resultado trimestral da IBM revisa a percepção dos investidores sobre a velocidade de adaptação da companhia ao novo ciclo de investimentos tecnológicos. A falha em antecipar e responder adequadamente à reorientação dos gastos de capital dos clientes em direção à inteligência artificial evidencia vulnerabilidades na leitura de tendências de mercado.

A área de consultoria da IBM manteve desempenho praticamente estável durante o trimestre, enquanto a divisão de software demonstrou resiliência com crescimento de 5%. No entanto, o declínio na infraestrutura tradicional e o mercado competitivo para novos serviços de IA colocam a empresa em posição desafiadora.

A IBM agora aguarda a divulgação completa de seus resultados do segundo trimestre de 2026 para a próxima quarta-feira, 22 de junho, momento em que detalhes adicionais sobre suas operações e perspectivas futuras serão revelados aos acionistas e ao mercado. A recuperação da confiança dos investidores dependerá da capacidade demonstrada pela empresa em acelerar sua adaptação às dinâmicas emergentes do setor tecnológico.

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