Exército nega possuir duas armas de Bolsonaro

Exército informa ao STF que não possui duas das oito armas de Bolsonaro. Saiba detalhes sobre o arsenal do ex-presidente e a situação das demais armas.
Exército nega possuir duas armas de Bolsonaro
O Comando do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília comunicou ao Supremo Tribunal Federal que não possui sob sua guarda duas das oito armas de Bolsonaro que a defesa do ex-presidente alegava estar armazenadas na instituição militar. A informação representa um desdobramento importante nas investigações sobre o arsenal do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Entrega de armamento à Polícia Federal
Conforme comunicado oficial, o Batalhão de Polícia do Exército já realizou a transferência de todas as armas de Bolsonaro que estavam sob sua responsabilidade para a Polícia Federal, atendendo determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A ação ocorreu após decisão judicial específica sobre o tema.
O ministro Moraes havia determinado, na manhã de segunda-feira (6), a entrega imediata de oito armas de propriedade do ex-presidente que, segundo informação dos advogados de Bolsonaro, permaneceriam no complexo militar de Brasília. A ordem judicial foi expedida após a defesa comunicar na sexta-feira anterior que esse armamento estaria depositado naquele local.
Armas não localizadas no Exército
Segundo o Comandante do Batalhão de Polícia do Exército, as duas armas de Bolsonaro que não se encontram sob posse da instituição são: uma pistola Glock calibre 9x19 mm Parabellum e uma espingarda Maestro Arms Company. Ambas foram identificadas como faltantes durante verificação realizada no arsenal.
Interessante notar que o número de série de uma dessas armas coincide com aquela que foi apreendida em operação de blitz em Brasília envolvendo militar do Exército responsável pela segurança do ex-presidente. O dado levanta questões sobre a procedência e localização atual do equipamento.
Localização da espingarda no Rio Grande do Sul
Após divulgação da informação do Exército, a defesa de Bolsonaro realizou nova verificação no arsenal do ex-presidente e apresentou esclarecimento sobre uma das armas faltantes. Segundo os advogados, a espingarda Maestro Arms Company encontra-se atualmente em empresa importadora de artigos bélicos sediada no Rio Grande do Sul.
De acordo com a defesa de Bolsonaro, o armamento teria sido presenteado ao ex-presidente e nunca chegou a ser retirado das dependências da importadora. Os advogados sustentam que a arma permanece na empresa comercial até o presente momento sem ter sido levantada ou transportada por Bolsonaro.
Histórico de determações judiciais
Em sessão anterior, o ministro do Supremo Tribunal Federal também havia ordenado a entrega de dez armas vinculadas a Bolsonaro. A defesa esclareceu que, dessas dez armas, duas já haviam sido encaminhadas à Polícia Federal em abril de 2023, após decisão do Tribunal de Contas da União.
As oito restantes, segundo informação dos advogados ao STF, estavam sob custódia do Batalhão de Polícia do Exército. Essa informação precedeu a comunicação atual do Exército negando a posse de duas dessas armas.
Detalhamento do arsenal de Bolsonaro
Conforme decisão do ministro Moraes, pelo menos dez armas encontram-se vinculadas legalmente a Bolsonaro. O arsenal inclui diversas categorias de armamentos, alguns com uso permitido e outros com utilização restrita conforme legislação brasileira.
As oito armas que a defesa afirmava estarem armazenadas no Batalhão de Polícia do Exército compreendem: Pistola Forjas Taurus calibre .380 Automatic; Pistola Forjas Taurus calibre .40 Smith & Wesson; Pistola Glock calibre 9x19 mm Parabellum; Carabina/Fuzil Springfield Armory calibre 7,62x51 mm; Espingarda Typhoon calibre 12 GA; Pistola Arex calibre 9x19 mm Parabellum; Pistola SIG-Sauer calibre 9x19 mm Parabellum; e Espingarda Maestro Arms Company.
As duas armas que já estão com a Polícia Federal são identificadas como: Carabina/Fuzil Caracal calibre 5,56x45 mm e Pistola Caracal calibre 9x19 mm Parabellum.
Caso da apreensão em blitz
Mês passado, Estácio Leite da Silva Filho, militar do Exército que integra a equipe de segurança do ex-presidente, foi interceptado em blitz realizada pela Polícia Militar em Taguatinga, no Distrito Federal, portando arma registrada em nome de Bolsonaro.
Segundo informações da corporação policial, o militar não possuía autorização do proprietário para transitar com o armamento e descumpria exigências legais para tal procedimento. O caso resultou em indiciamento por porte ilegal de arma de fogo, com agravante de se tratar de servidor militar do Exército.
A defesa de Bolsonaro reconheceu que o ex-presidente havia solicitado auxílio a militar do Gabinete de Segurança Institucional para reparo de arma de fogo registrada em seu nome. Conforme documentação enviada ao STF, a equipe de segurança de Bolsonaro havia deixado o equipamento propositalmente danificado para prevenir riscos relacionados às condições de saúde mental do político.




