Durigan nega avaliação de propostas sobre juros

Ministro da Fazenda rejeita consideração de tabelamento de Selic e queima de reservas cambiais no governo Lula.
Negação do ministro sobre discussões econômicas
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, descartou categoricamente que propostas sobre juros, como tabelamento da taxa Selic ou utilização de reservas cambiais, estejam em pauta para análise no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração surge em meio a especulações sobre um possível encontro entre Lula e o economista André Lara Resende, conhecido co-autor do Plano Real e defensor de medidas econômicas alternativas.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, haveria uma reunião programada entre o presidente e o economista durante a semana. Entretanto, Durigan negou a existência de qualquer agenda formal entre as duas partes, reafirmando que, embora diversos economistas se ofereçam para diálogos com o chefe do Executivo e com Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, nenhuma data está confirmada para esses encontros.
Posição conjunta de aliados governamentais
Aloizio Mercadante, histórico colaborador de Lula que atuou na coordenação da campanha presidencial de 2022 e na transição governamental, também refutou a possibilidade de que propostas sobre juros estejam sendo discutidas no interior do governo. O presidente do BNDES enfatizou que nenhuma sugestão de tabelamento de juros foi contemplada durante a campanha e não está sendo considerada na administração atual.
Mercadante destacou que o processo de definição da equipe econômica está sob responsabilidade direta do presidente Lula, que iniciará discussões sobre o quarto mandato a partir de terça-feira. Segundo o dirigente, o governo mantém seu compromisso histórico com transparência e previsibilidade nas políticas econômicas, princípios que guiarão a seleção de responsabilidades pela pasta econômica.
Contexto de repouso presidencial
Após vencer a disputa eleitoral contra Flávio Bolsonaro, Lula permaneceu em repouso no Palácio da Alvorada e posteriormente na Residência Oficial da Granja do Torto, priorizando recuperação e preservação da voz. Este período de repouso ocorre simultaneamente ao processo de definição da equipe que conduzirá a política econômica nos próximos anos.
A proposta de André Lara Resende em debate
O economista André Lara Resende apresentou, no final de setembro, um projeto ambicioso que visa estabelecer novo arranjo entre políticas fiscais e monetárias, com objetivo de reduzir a taxa Selic. A proposta inclui a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional responsável por definir metas para período de quatro a cinco anos.
Conforme descrito no documento, o Banco Central se comprometeria a manter a taxa básica dentro de intervalo delimitado pela meta de inflação (3,0%) e a taxa de crescimento nominal potencial, que corresponderia atualmente a aproximadamente 5,5% anuais, resultado da soma entre inflação alvo e crescimento real esperado.
A estratégia proposta prevê redução gradual dos juros básicos ao longo de aproximadamente doze meses, até atingir a taxa de crescimento nominal potencial acrescida de spread transitório de segurança de 2%, resultando em patamar próximo a 7,5% anuais. Este diferencial de segurança seria periodicamente reavaliado e gradualmente eliminado conforme ganho de confiança no novo regime.
Críticas à estrutura de juros atual
No centro da argumentação de Resende encontra-se crítica contundente à atual taxa de juros da economia brasileira. A taxa Selic, definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, encontra-se em 13,75% anuais, patamar que o economista considera extraordinariamente elevado e prejudicial ao desenvolvimento econômico.
Resende afirma que a economia enfrenta problema fundamental cuja solução é clara, mas requer superação de preconceitos associados a estruturas monetárias e fiscais consideradas obsoletas. Sua crítica incide sobre o que denomina de anacronismo teórico que sustenta as atuais políticas de juros.
Apoio e reações políticas
O artigo de Resende recebeu apoio de Gleisi Hoffmann, deputada federal pelo PT-Paraná e ex-ministra das Relações Institucionais do governo Lula. Hoffmann descreveu a publicação como fundamental para enfrentar pressões sobre a política fiscal brasileira, utilizando suas redes sociais para defender a relevância das proposições econômicas apresentadas.
Subsequentemente, Hoffmann criticou a reação negativa do mercado financeiro quanto ao possível encontro entre Lula e Resende, afirmando que tal reação refletiria características do mercado que ela considera problemáticas. Segundo a deputada, seria natural que o presidente buscasse dialogar com economistas não vinculados aos interesses financeiros tradicionais, reafirmando que Lula não executará as medidas que considera eleitoralmente enganosas, conforme defendido por setores do mercado.




