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Borges: Levar Electricidade a Todos é Prioridade Urgente

João Baptista Borges debate o acesso universal à energia em Angola. Conheça os desafios da electrificação rural e as soluções para ampliar a cobertura.

O Acesso à Energia Como Desafio Central

João Baptista Borges, Ministro da Energia e Águas de Angola, colocou em evidência durante entrevista à televisão pública no dia 10 de setembro de 2026 uma questão que atravessa toda a política energética do país: como garantir que a electricidade chegue a cada canto de Angola. O desafio não é apenas técnico. É também social, económico e territorial.

A população angolana continua a enfrentar disparidades significativas no acesso à energia. Enquanto zonas urbanas beneficiam de maior cobertura da rede, comunidades rurais e periurbanas permanecem isoladas do sistema eléctrico convencional. Borges abordou esta realidade de frente, reconhecendo que ampliar a cobertura exige mais do que simplesmente estender cabos por todo o território nacional.

A Situação Actual e os Números do Acesso

Angola enfrenta um cenário complexo. A taxa de electrificação do país reflete estas disparidades, com penetração heterogénea conforme a região e o tipo de habitat. As províncias do interior e as áreas rurais registam taxas de acesso significativamente menores do que Luanda e principais centros urbanos.

Durante a intervenção televisiva, João Baptista Borges sublinhou que o Estado tem responsabilidade directa em expandir o acesso, particularmente em territórios onde a iniciativa privada não encontra viabilidade comercial imediata. Isto inclui aldeias remotas, comunidades agrícolas dispersas e assentamentos informais nas periferias urbanas.

O ministro não apresentou projecções alarmistas, mas antes uma avaliação pragmática: há um fosso real, e fechar esse fosso exige estratégia, investimento continuado e soluções diferenciadas por contexto geográfico.

Soluções Descentralizadas e Energias Renováveis

Um dos pontos-chave abordados por Borges foi a necessidade de abandonar a ideia de que apenas a rede centralizada pode resolver o problema. Em muitas zonas rurais de Angola, a distância do sistema de distribuição principal torna economicamente inviável o investimento em linhas convencionais.

Aqui entram as soluções renováveis descentralizadas. Painéis solares fotovoltaicos, microgeração local e sistemas híbridos adaptados a cada comunidade surgem como alternativas reais. Borges reconheceu que estas tecnologias evoluíram significativamente em custo e eficiência, tornando viável levar energia a zonas que de outro modo permaneceriam no escuro.

A descentralização não significa abandono da rede principal. Significa, isso sim, complementaridade. Enquanto a rede continua a expandir para zonas de população mais densa, soluções de geração renovável local podem servir comunidades dispersas de forma mais ágil e economicamente sustentável.

O Papel da Rede e da Infraestrutura Maior

Apesar de realçar a importância das soluções descentralizadas, João Baptista Borges não diminuiu o papel da rede convencional de distribuição. A expansão da rede de média e baixa tensão continua a ser fundamental, especialmente para assentamentos periurbanos e zonas rurais com aglomerações populacionais.

O ministro abordou a necessidade de investimento público contínuo em infraestrutura eléctrica. Isto inclui reforço das linhas de transmissão, modernização de subestações e extensão dos ramais de distribuição. A rede também requer manutenção e actualização tecnológica para reduzir perdas técnicas e comerciais, questão que afecta directamente a rentabilidade do sector e a capacidade de investir em nova cobertura.

A realidade financeira é incontornável. Expandir a rede exige capital considerável, e o retorno nem sempre é imediato em zonas de baixa densidade populacional ou economia menos dinâmica. Por isso, Borges enfatizou que a universalização da energia em Angola requer parcerias público-privadas, financiamento internacional e alocação orçamental robusta do Estado.

Expectativas e Horizontes Temporais Realistas

Na entrevista, o Ministro da Energia e Águas evitou promessas genéricas. Pelo contrário, assumiu uma postura de transparência sobre os prazos e a complexidade envolvida. A universalização do acesso não é obra de um ou dois anos. É processo estrutural que requer visão de médio e longo prazo, acompanhamento contínuo e ajustes conforme a realidade o exigir.

A expectativa anunciada por Borges é a de ampliar progressivamente a cobertura eléctrica nacional, dando prioridade a zonas de maior carência e maior potencial de impacto social. Isto significa que instituições de educação, saúde, serviços públicos e habitações em comunidades rurais terão acesso prioritário, antes de se expandir para outras aplicações.

O ministro reconheceu igualmente que a electrificação rural tem externalidades positivas diretas: melhora a qualidade de vida, permite o funcionamento de equipamentos médicos e educativos, facilita o acesso a informação e comunicação, e cria possibilidades de actividade económica local.

Integração de Tecnologias e Inovação

Borges acentuou que Angola não enfrenta este desafio de forma isolada. A experiência global, as tecnologias emergentes em geração distribuída e as melhores práticas internacionais em electrificação rural oferecem referências valiosas. O país pode aprender com sucesso e erros de outras nações africanas e desenvolvidas.

A adoção de sistemas de medição inteligente, a integração de armazenamento de energia em pequena escala (baterias), e o recurso a monitorização remota da infraestrutura são ferramentas que podem acelerar tanto a expansão como a eficiência da rede. Isto reduz desperdício, melhora a detecção de avarias e permite optimizar o investimento.

Perspectiva Futura

O discurso de João Baptista Borges reflete compreensão profunda dos desafios que Angola enfrenta. Levar electricidade a todos não é apenas uma meta técnica ou política. É imperativo social que condicionará o desenvolvimento do país nas próximas décadas.

A realidade é que ainda há muito caminho a percorrer. Mas a presença deste tema no topo da agenda ministerial, acompanhada de estratégia diferenciada e reconhecimento das limitações reais, sugere que a questão está a ser tratada com a seriedade que merece. O acesso universal à energia em Angola continuará a ser um processo gradual, mas orientado por visão clara e determinação em reduzi-lo progressivamente.

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