AIR celebra 80 anos com cúpula sobre futuro audiovisual

Associação Internacional de Radiodifusão reúne emissoras nas Américas para debater desafios do audiovisual, IA e pirataria digital
Cúpula do audiovisual nas Américas marca oito décadas de AIR
Em Santo Domingo, capital da República Dominicana, realizou-se um encontro estratégico que reuniu líderes do setor de radiodifusão e produção audiovisual. O evento, que ocorreu nos dias 13 e 14 do mês, marca uma data especial para a indústria: os 80 anos da Associação Internacional de Radiodifusão, organização que representa aproximadamente 17 mil emissoras comerciais de rádio e televisão distribuídas pelas três Américas. A Cúpula da Indústria Audiovisual nas Américas reafirma o compromisso da entidade com os desafios contemporâneos que transformam a forma como criamos e distribuímos conteúdo.
O encontro congregou representantes de emissoras de televisão, produtores independentes, operadoras de TV paga e outros agentes importantes do ecossistema audiovisual regional. Sob liderança de Paulo Tonet Camargo, que ocupa desde 2023 o cargo de presidente da AIR e também atua como vice-presidente institucional da ABERT, a organização traçou diretrizes para os próximos anos de atividades.
Temas centrais em debate na cúpula
A agenda da cúpula abordou questões urgentes que definem o futuro do audiovisual nas Américas. Entre os pontos discutidos estão o desenvolvimento da televisão conectada, a relevância contínua da TV aberta em um cenário de consumo multiplataforma, e as métricas de audiência em um ecossistema cada vez mais diversificado e fragmentado. Outro tema de grande importância foi a proteção de conteúdos originais na era digital, combate organizado à pirataria, e o impacto crescente da inteligência artificial na produção e distribuição de conteúdo.
A convergência desses desafios reflete transformações profundas na indústria audiovisual. Enquanto as plataformas de streaming ganham espaço, a TV tradicional busca reinventar-se. O consumo de conteúdo via dispositivos móveis revolucionou hábitos de visualização. Essas mudanças exigem respostas coordenadas entre os diferentes atores da produção audiovisual.
A visão de futuro da AIR: liberdade, responsabilidade e sustentabilidade
Em discurso durante o evento, Paulo Tonet Camargo apresentou os três pilares sobre os quais a Associação Internacional de Radiodifusão construirá seu futuro. O primeiro é a liberdade de expressão, valor fundamental que sustenta a existência e a legitimidade de qualquer meio de comunicação independente. O segundo pilar é a responsabilidade, particularmente quanto aos conteúdos de informação e entretenimento que as emissoras distribuem às suas audiências. O terceiro é a sustentabilidade econômica e ambiental, reconhecendo que para continuar servindo às sociedades, a indústria precisa ser financeiramente viável.
"A AIR assenta o seu futuro em três bases: liberdade, porque a liberdade de expressão é a nossa base de existência; responsabilidade, porque temos responsabilidade sobre os conteúdos de informação e entretenimento que distribuímos; e sustentabilidade, porque a indústria, para poder fornecer tudo isso às sociedades onde trabalhamos, precisa ser sustentável", afirmou Tonet Camargo.
Importância da ação continental coordenada
Um ponto reiteradamente enfatizado durante os debates foi a necessidade de coordenação continental. Segundo Tonet, questões como adoção de métricas padronizadas de audiência, implementação de medidas contra pirataria, e definição de estratégias de proeminência digital não podem ser resolvidas isoladamente por países ou empresas individuais. A complexidade dos desafios modernos do audiovisual exige diálogo e cooperação entre as três Américas.
"Reunir as três Américas para discutir os grandes temas da indústria audiovisual é realmente importante, porque a adoção de modelos tecnológicos de métricas de audiência, de proeminência e de combate à pirataria é algo que precisamos fazer de maneira continental. Nenhum país, nenhuma empresa, consegue fazer isso isoladamente", destacou o presidente da AIR.
Destaque para liderança brasileira na produção de conteúdo
Flávio Lara Resende, que ocupa as posições de vice-presidente jurídico da AIR e vice-presidente institucional da ABERT, enfatizou durante o encontro a posição preeminente do Brasil na produção audiovisual continental. O país se destaca tanto na geração de conteúdo jornalístico quanto no entretenimento, abrangendo tanto o segmento de rádio quanto de televisão aberta.
"É extremamente importante porque o Brasil lidera nas três Américas a produção de conteúdo jornalístico e de entretenimento, seja no rádio, seja na televisão. Então, você reunir aqui radiodifusores de diversos países é extremamente importante para que a gente possa ter uma definição do que será o futuro da radiofusão nas três Américas, principalmente na televisão aberta", afirmou Resende.
Oito décadas de compromisso com a liberdade de comunicação
A Associação Internacional de Radiodifusão completou 80 anos desde sua fundação em 1946. Ao longo de oito décadas, a organização acompanhou transformações tecnológicas revolucionárias, mudanças sociais profundas e reformulações econômicas estruturais. Durante toda sua história, a AIR manteve como princípios fundadores a defesa intransigente da liberdade de expressão e da radiodifusão como setor livre, privado e independente.
Desde sua criação, a associação tem sido defensora ativa do pluralismo informativo, da segurança jurídica para operadores de comunicação, e do direito universal de todas as pessoas buscarem, receberem e difundirem informações e opiniões sem censura ou restrições indevidas.
Cenário transformado e renovação de compromissos
O comunicado oficial da AIR que marca seus 80 anos reconhece um ambiente radicalmente diferente daquele em que a organização foi criada. A aceleração da transformação tecnológica, o surgimento de novos modelos de produção e distribuição de conteúdo, a expansão da inteligência artificial, a competição de grandes corporações de plataformas digitais globais, a proliferação da pirataria digital, e os desafios crescentes para garantir sustentabilidade financeira dos meios tradicionais configuram um contexto profundamente modificado.
Diante dessa nova realidade, a Associação Internacional de Radiodifusão reafirma e renova seu compromisso histórico. A AIR continua dedicada a representar efetivamente a radiodifusão em todas as suas formas, defender seus interesses legítimos, e promover as condições necessárias para que emissoras e criadores de conteúdo possam inovar, crescer economicamente, e cumprir sua função indispensável a serviço das sociedades que servem.




