Autores do estudo treinaram os participantes para ativar uma parte do cérebro relacionada com a recompensa, antes de receberem uma vacina contra a hepatite B. Resultado demonstra possível relação entre a atividade de determinadas vias cerebrais e o sistema imunitário.
Um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, trouxe uma descoberta surpreendente sobre a relação entre o cérebro e o sistema imunológico. Os autores do estudo treinaram os participantes para ativar uma parte específica do cérebro, relacionada com a recompensa, antes de receberem uma vacina contra a hepatite B. Os resultados mostraram que essa ativação cerebral pode ter um impacto positivo na resposta imunológica do organismo.
A pesquisa, publicada na revista científica Nature Communications, foi conduzida por uma equipe liderada pelo Dr. Firdaus Dhabhar, professor de psiquiatria e ciências comportamentais da Universidade de Stanford. O estudo envolveu 56 participantes saudáveis, que foram divididos em dois grupos: um grupo recebeu treinamento para ativar a parte do cérebro relacionada com a recompensa, enquanto o outro grupo não recebeu nenhum tipo de treinamento.
O treinamento consistiu em uma técnica chamada “visualização de recompensa”, na qual os participantes eram instruídos a imaginar situações agradáveis e agradecer por elas. Essa técnica é baseada em estudos anteriores que mostraram que a ativação da via de recompensa no cérebro pode ter efeitos positivos no sistema imunológico.
Após o treinamento, todos os participantes receberam uma vacina contra a hepatite B. Os pesquisadores mediram a resposta imunológica dos participantes antes e depois da vacinação, analisando os níveis de anticorpos produzidos pelo organismo. Os resultados mostraram que os participantes que receberam o treinamento de visualização de recompensa apresentaram uma resposta imunológica mais forte do que aqueles que não receberam o treinamento.
Além disso, os pesquisadores também observaram uma maior ativação de células imunológicas específicas, chamadas células T, nos participantes que receberam o treinamento. Essas células são responsáveis por combater vírus e bactérias no organismo, e sua ativação é um indicador de uma resposta imunológica eficaz.
Os resultados deste estudo são muito promissores e abrem caminho para novas pesquisas sobre a relação entre o cérebro e o sistema imunológico. Segundo o Dr. Dhabhar, “nossos resultados sugerem que a ativação da via de recompensa no cérebro pode ser uma estratégia eficaz para melhorar a resposta imunológica do organismo”.
Além disso, os pesquisadores também destacam a importância de técnicas de relaxamento e meditação, que também podem ativar a via de recompensa no cérebro. Essas práticas podem ser benéficas não apenas para a saúde mental, mas também para fortalecer o sistema imunológico.
No entanto, os autores do estudo ressaltam que mais pesquisas são necessárias para entender melhor essa relação entre o cérebro e o sistema imunológico. Ainda não está claro como exatamente a ativação da via de recompensa pode afetar a resposta imunológica do organismo, e se essa técnica pode ser aplicada em outras situações além da vacinação.
De qualquer forma, os resultados deste estudo são um grande avanço na compreensão do funcionamento do nosso organismo e podem ter um impacto significativo na prevenção e tratamento de doenças. Afinal, se podemos treinar nosso cérebro para fortalecer nosso sistema





