A Confederação das Micro, Pequenas e Médias Empresas (CMPME) tem se mostrado preocupada com os possíveis impactos do acordo comercial entre países, principalmente no que diz respeito às micro e pequenas empresas (MPEs). Segundo a entidade, existe o receio de que os benefícios do acordo não cheguem até essas empresas, o que pode resultar em um abandono da produção, principalmente no setor agrícola.
O acordo em questão é o Tratado de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia, que foi assinado em junho de 2019 após 20 anos de negociações. O objetivo é criar uma zona de livre comércio entre os dois blocos, eliminando tarifas e barreiras comerciais. Com isso, espera-se um aumento no fluxo de comércio e investimentos entre os países envolvidos.
No entanto, a CMPME teme que as MPEs, que representam a grande maioria das empresas no Brasil, não sejam beneficiadas pelo acordo. Segundo a entidade, essas empresas possuem uma estrutura mais frágil e, muitas vezes, não possuem condições de competir em igualdade com as grandes empresas. Além disso, as MPEs também podem enfrentar dificuldades para se adaptar às exigências e padrões de qualidade impostos pelo mercado europeu.
Um dos setores mais preocupados com o acordo é o agrícola. Segundo a CMPME, as MPEs que atuam nesse setor podem ser prejudicadas com a entrada de produtos europeus no mercado brasileiro. Isso porque, muitas vezes, essas empresas não possuem condições de competir com a produção em larga escala e tecnologicamente avançada dos países europeus. Além disso, o acordo prevê a redução de tarifas para a importação de produtos agrícolas, o que pode tornar os produtos brasileiros menos competitivos no mercado interno.
A entidade também alerta para o risco de abandono da produção por parte das MPEs. Com a possibilidade de importação de produtos mais baratos e com maior qualidade, as empresas brasileiras podem optar por deixar de produzir e apenas importar os produtos. Isso pode gerar um impacto negativo na economia brasileira, especialmente em regiões que dependem da produção agrícola.
Diante desse cenário, a CMPME tem se mobilizado para garantir que as MPEs sejam incluídas no acordo e que possam usufruir dos benefícios previstos. A entidade tem participado de reuniões com representantes do governo e de outros setores da sociedade para discutir formas de garantir a competitividade das MPEs no mercado.
Além disso, a CMPME também tem orientado as empresas a se prepararem para o mercado europeu, buscando melhorias na qualidade dos produtos e na gestão dos negócios. A entidade acredita que, com as devidas adaptações, as MPEs brasileiras podem se tornar competitivas e aproveitar as oportunidades geradas pelo acordo.
É importante destacar que o Tratado de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia pode trazer diversos benefícios para o Brasil, como o aumento das exportações, a atração de investimentos e a geração de empregos. No entanto, é fundamental que as MPEs sejam incluídas nesse processo e que recebam o suporte necessário para se tornarem mais competitivas.
Portanto, é preciso que o governo e demais órgãos responsáveis estejam atentos às demandas das MPEs e garantam que elas sejam beneficiadas pelo acordo. Além disso, é fundamental que as próprias empresas se preparem e busquem se adaptar às exigências do mercado internacional. Dessa forma, o acordo pode trazer benefícios para todos os setores da economia





