Há 40 anos, o Partido Comunista Português (PCP) enfrentou uma situação inédita em sua história. Após as eleições presidenciais de 1986, o partido se viu diante da necessidade de realizar um congresso extraordinário para orientar seus militantes a votarem em Mário Soares, do Partido Socialista (PS), na segunda volta contra Freitas do Amaral, do Centro Democrático Social (CDS). Essa decisão foi tomada em meio a um cenário político conturbado e polarizado, mas que, ao mesmo tempo, demonstrava a força e a influência do PCP na sociedade portuguesa.
No entanto, 40 anos depois, em 2026, o cenário político é completamente diferente. O PCP, que sempre foi um partido com forte presença e influência na política portuguesa, viu sua importância diminuir ao longo dos anos. E, mais do que isso, viu a necessidade de realizar um congresso extraordinário para orientar seus militantes a votarem em um candidato específico desaparecer completamente. Em vez disso, bastaram três horas de noite eleitoral para que o partido pudesse declarar seu apoio a um candidato e, assim, influenciar seus eleitores.
Essa mudança é um reflexo das transformações pelas quais a sociedade portuguesa passou nas últimas décadas. O PCP, que sempre foi um partido com forte base operária e popular, viu seu eleitorado diminuir à medida que a classe trabalhadora foi se modificando e se diversificando. Além disso, o fim da Guerra Fria e a queda do Muro de Berlim enfraqueceram a ideologia comunista e, consequentemente, o PCP.
No entanto, mesmo com todas essas mudanças, o PCP sempre manteve sua identidade e seus valores. E é justamente essa força e coesão que permitiram ao partido se adaptar às novas realidades e continuar a ser uma voz ativa na política portuguesa. O congresso extraordinário de 1986 é um exemplo disso. Mesmo diante de uma situação inédita e desafiadora, o partido soube se posicionar e orientar seus militantes de forma coesa e unida.
Mas, o que mudou de 1986 para 2026? Por que, em vez de um congresso extraordinário, bastaram três horas de noite eleitoral para que o PCP pudesse declarar seu apoio a um candidato? A resposta está na evolução da sociedade portuguesa e na própria evolução do partido.
Ao longo dos anos, o PCP soube se adaptar às mudanças e se modernizar. O partido deixou de ser apenas um partido de trabalhadores e passou a abraçar outras causas e lutas sociais, como a defesa dos direitos das mulheres, dos LGBTs e do meio ambiente. Além disso, o PCP também soube se aproximar de outros partidos e construir alianças, como a atual aliança com o PS.
Essa evolução permitiu ao PCP se tornar um partido mais abrangente e representativo, com uma base eleitoral mais diversificada. E, assim, o partido deixou de ser visto como uma força política radical e passou a ser reconhecido como um partido com propostas e ideias concretas para o país.
Isso também se reflete na forma como o partido se posiciona nas eleições. Se antes era necessário um congresso extraordinário para orientar os militantes a votarem em um candidato específico, hoje o PCP tem uma postura mais flexível e estratégica. O partido analisa o cenário político e decide qual candidato melhor representa suas ideias e propostas, sem a necessidade de um congresso extraordinário.
Essa mudança é um reflexo da maturidade política do PCP e





