Um doador de esperma europeu está sendo investigado após ter transmitido uma mutação genética ligada ao câncer a quase 200 crianças em 14 países. A descoberta expôs falhas nos bancos de sêmen e gerou preocupações sobre a segurança desses procedimentos em todo o mundo.
A mutação genética em questão é conhecida como BRCA1, que aumenta significativamente o risco de câncer de mama e ovário em mulheres, e também pode afetar os homens. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 12% das mulheres terão câncer de mama em algum momento de suas vidas, e 1,3% terão câncer de ovário. A mutação BRCA1 é responsável por cerca de 5-10% desses casos.
O escândalo veio à tona após uma investigação do jornal britânico The Guardian, que descobriu que um doador de esperma da Dinamarca, conhecido apenas como “Donor 1066”, havia transmitido a mutação a 43 crianças em todo o mundo. No entanto, a investigação do jornal também descobriu que o número real de crianças afetadas pode ser muito maior, chegando a quase 200.
A maioria dessas crianças nasceu após tratamentos de fertilização in vitro em clínicas de fertilidade na Dinamarca, nos Estados Unidos, no Canadá e na Austrália. O doador também forneceu esperma para clínicas na Bélgica, França, Alemanha, Itália, Holanda, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido. O fato de a mutação ter sido transmitida a tantas crianças em diferentes países levanta preocupações sobre a segurança dos bancos de sêmen e a falta de regulamentação em todo o mundo.
A investigação também revelou que a clínica de fertilidade dinamarquesa responsável pelo doador em questão tinha conhecimento da mutação BRCA1 em 2019, mas só notificou as clínicas que haviam utilizado o esperma em 2020. Isso significa que muitas crianças já haviam nascido antes de qualquer ação ser tomada. Além disso, muitas das clínicas que receberam o esperma não realizaram os testes genéticos adequados antes de usá-lo, o que levanta questões sobre os protocolos de segurança nessas instituições.
A descoberta também levanta preocupações sobre a privacidade dos doadores de esperma. Muitos países, incluindo o Reino Unido e a Dinamarca, permitem que doadores permaneçam anônimos, o que significa que os filhos concebidos por meio de doação de esperma não têm acesso à informação sobre sua ascendência genética. Isso também significa que, em casos como esse, quando uma mutação genética é transmitida, não há maneira de rastrear e notificar as crianças afetadas.
O impacto emocional e psicológico sobre as crianças e suas famílias é imensurável. Muitas delas agora enfrentam a possibilidade de desenvolver câncer em algum momento de suas vidas, além de terem que lidar com a descoberta de que seu pai biológico não é quem elas pensavam ser. Além disso, essas famílias também estão enfrentando desafios financeiros para realizar os testes genéticos necessários para determinar se as crianças estão ou não em risco.
O caso também levanta questões éticas sobre a doação de esperma. Embora os bancos de sêmen forneçam uma opção para casais inférteis e pessoas que desejam ter filhos sem um parceiro, é importante que haja regulamentação e transparência nessas instituições. Além disso, é essencial





