É a primeira vez que uma planta terrestre primitiva e resiliente é capaz de sobreviver em ambientes extraterrestres, como a superfície de outros planetas ou luas. Essa descoberta é um grande avanço para a ciência e pode abrir caminho para o desenvolvimento de sistemas agrícolas no espaço.
Os cientistas sempre foram fascinados pela possibilidade de cultivar plantas em outros planetas ou em espaços habitacionais em missões espaciais de longa duração. No entanto, a exposição prolongada ao ambiente hostil do espaço sideral e aos solos extraterrestres tem sido um grande desafio para a sobrevivência de qualquer forma de vida. Até agora, as plantas não conseguiam sobreviver por muito tempo nessas condições, o que limitava a possibilidade de desenvolver sistemas agrícolas no espaço.
Mas agora, graças a uma pesquisa inovadora liderada pelo professor Charles Cockell, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, temos uma nova perspectiva. Os cientistas conseguiram cultivar uma planta terrestre primitiva, conhecida como musgo de espécies Bryum argenteum, em condições simuladas de Marte e da Lua. E o mais surpreendente é que a planta conseguiu sobreviver e se reproduzir após uma exposição de 18 meses.
De acordo com o professor Cockell, essa descoberta é um grande avanço para a exploração espacial e pode ser um passo importante para o desenvolvimento de sistemas agrícolas no espaço. Ele afirma: “Nossa pesquisa mostra que plantas terrestres podem ser usadas para construir ambientes habitáveis em outros planetas e luas, mesmo em condições extremas, como as encontradas em Marte e na Lua”.
Para realizar o experimento, os cientistas criaram ambientes semelhantes à superfície de Marte e da Lua em laboratório. Os solos utilizados foram obtidos de locais na Terra que possuem características semelhantes aos solos desses planetas. O objetivo era testar a capacidade de sobrevivência e crescimento do musgo em condições extremas e em solos extraterrestres.
Após a exposição de 18 meses, os resultados foram impressionantes. O musgo de espécies Bryum argenteum foi capaz de sobreviver e crescer em ambos os ambientes simulados, mesmo em solos com altos níveis de metais tóxicos. A planta também foi capaz de se reproduzir, produzindo esporos, que são suas estruturas reprodutivas.
Essa planta é considerada uma espécie pioneira, pois é capaz de sobreviver em ambientes extremos e pode ser usada para iniciar o processo de colonização de outros planetas. Além disso, o musgo é capaz de absorver água e nutrientes do solo, o que é essencial para a criação de sistemas agrícolas no espaço.
Os cientistas acreditam que essa descoberta pode ser aplicada em missões espaciais de longa duração, como a colonização de Marte. A capacidade de cultivar plantas no espaço pode proporcionar uma fonte sustentável de alimento e oxigênio para os astronautas, além de contribuir para a criação de ecossistemas autossustentáveis em outros planetas.
Além disso, essa descoberta também pode ter implicações importantes para a agricultura na Terra. O musgo de espécies Bryum argenteum é considerado um bioindicador, ou seja, uma espécie que indica a qualidade do ambiente em que vive. Isso significa que essa planta pode ser usada para monitorar a presença de metais tóxicos em solos e até mesmo para descontaminá-los.
Os cientistas também estão interessados em estudar como outras plantas podem se adaptar e sobreviver em ambientes extraterrestres




