Associação da Hotelaria de Portugal alerta para a situação “preocupante” no setor e critica novo sistema europeu de controlo de entradas e saídas
A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) divulgou recentemente um relatório que aponta para uma situação “longe de ser satisfatória” no setor hoteleiro português, e critica a entrada em vigor do novo Sistema Europeu de Controlo de Entradas e Saídas (SECE). O documento, elaborado em parceria com a consultora Deloitte, apresenta uma análise detalhada sobre o estado atual da hotelaria em Portugal e traça um cenário preocupante para o futuro próximo.
De acordo com o relatório, o setor hoteleiro português registou uma quebra de 2,9% na taxa média de ocupação em 2018, comparativamente ao ano anterior. Além disso, houve uma diminuição de 9,1% no número de dormidas de turistas estrangeiros, que representam cerca de 80% do total de dormidas em Portugal. Estes dados refletem uma tendência de desaceleração no crescimento do turismo no país, que tem sido uma das principais alavancas para a economia portuguesa nos últimos anos.
Segundo a AHP, esta situação se deve a vários fatores, entre os quais a entrada em vigor do SECE no início de 2018. Este sistema, que visa melhorar a segurança nas fronteiras externas da União Europeia, tem criado dificuldades para os turistas que pretendem visitar Portugal, sobretudo aqueles que vêm de países terceiros. O processo de obtenção de vistos e a espera nas filas de controlo de entrada nos aeroportos tem sido apontado como um dos motivos que têm afetado a escolha de Portugal como destino turístico.
Além disso, o relatório também destaca a falta de recursos humanos qualificados no setor hoteleiro e a elevada carga fiscal como obstáculos ao crescimento e à competitividade das unidades hoteleiras em Portugal. Segundo a AHP, estas questões devem ser abordadas com urgência pelas autoridades, de forma a garantir que o setor continue a contribuir de forma significativa para a economia do país.
Diante deste cenário, a AHP tem defendido a adoção de medidas que possam estimular o crescimento do turismo em Portugal e melhorar a competitividade do setor hoteleiro. Entre as propostas apresentadas, destacam-se a simplificação do processo de obtenção de vistos, a redução da carga fiscal e a promoção de uma política de formação e qualificação profissional no setor.
Apesar dos desafios, a Associação da Hotelaria de Portugal mantém uma postura otimista, acreditando que o país tem um enorme potencial para continuar a atrair turistas de todo o mundo. De acordo com o relatório, Portugal continua a ser um destino turístico muito procurado por turistas europeus, principalmente do Reino Unido, Espanha e Alemanha. Além disso, o turismo interno tem apresentado um crescimento significativo, representando atualmente cerca de 40% das dormidas totais no país.
Outro ponto positivo destacado pelo relatório é o crescimento do turismo de natureza e do turismo cultural em Portugal. Com uma oferta diversificada e de qualidade, o país tem conquistado cada vez mais viajantes que procuram experiências autênticas e sustentáveis. Este segmento tem um enorme potencial de crescimento, podendo gerar mais receitas e contribuir para uma distribuição mais equilibrada do turismo pelo território nacional.
Apesar das preocupações levantadas pela AHP, é importante ressaltar que Portugal continua a ser um destino seguro, acolhedor e com uma oferta turística diversificada.





