Em 2001, foi feita a primeira proposta de tradução das aventuras do pequeno gaulês para mirandês. Essa iniciativa foi um passo importante para a valorização e preservação da língua mirandesa, que é considerada uma das mais antigas de Portugal. A tradução das histórias de Astérix e Obélix para mirandês foi uma forma de promover a língua e mostrar sua riqueza e importância cultural.
Mirandês é uma língua oficial de Portugal desde 1998, porém, sua existência é anterior a isso. A língua é falada na região de Miranda do Douro, no nordeste do país, e sua origem remonta ao século XII. Com a proposta de tradução das aventuras dos famosos personagens franceses, Astérix e Obélix, para mirandês, a língua ganhou ainda mais destaque e reconhecimento.
A ideia da tradução surgiu a partir do trabalho de uma equipa de investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), liderada pelo professor José Domingues de Almeida, que estudava a língua mirandesa e sua relação com o português. A equipe percebeu a importância de utilizar um conteúdo conhecido e popular para promover a língua e atrair a atenção do público para sua preservação.
A partir daí, entraram em contato com a editora francesa responsável pela publicação das histórias de Astérix e Obélix, a Hachette, e propuseram a tradução para mirandês. A ideia foi bem recebida pela editora e, em 2001, foi lançado o primeiro volume, intitulado “Astérix l gaulés”. A tradução foi feita por Carlos Ferro, um linguista e etnólogo mirandês, que se dedicou a manter a essência e o humor das histórias originais.
A tradução para mirandês trouxe uma nova vida para as aventuras de Astérix e Obélix. A linguagem e o contexto cultural dos personagens foram adaptados para a língua mirandesa, o que proporcionou uma experiência única para os leitores. Além disso, a tradução também incluiu notas explicativas sobre os termos e expressões específicos da língua.
O lançamento do primeiro volume da coleção foi um sucesso e chamou a atenção de muitas pessoas para a língua mirandesa. A proposta de tradução foi recebida com entusiasmo e apreciação pelos habitantes da região de Miranda do Douro, que se orgulharam de ver sua língua sendo valorizada e difundida.
A partir daí, foram lançados mais dois volumes da coleção, “Astérix ls lusitans” e “Astérix l gladiador”. A tradução das aventuras dos personagens para mirandês se tornou um marco importante para a língua, demonstrando sua força e importância na cultura portuguesa.
Além da coleção de Astérix e Obélix, outras iniciativas de tradução para mirandês surgiram a partir dessa proposta, como a tradução de contos infantis e de poesias de autores locais. A língua mirandesa ganhou ainda mais espaço e reconhecimento, sendo utilizada em diferentes contextos e produções culturais.
A primeira proposta de tradução das aventuras do pequeno gaulês para mirandês foi um importante passo para a valorização e preservação dessa língua tão rica e única. A partir dela, a língua ganhou visibilidade e reconhecimento, além de proporcionar uma nova forma de enriquecer a cultura e a identidade mirandesa.
Hoje, a língua mirandesa continua sendo utilizada e valorizada, graças às iniciativas como essa que promovem sua difusão e preservação




