A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente o uso do lenacapavir como PrEP (profilaxia pré-exposição) para prevenir o HIV-1 em adultos e adolescentes. O medicamento, que tem aplicação semestral, é uma grande conquista no combate ao vírus da imunodeficiência humana (HIV) e traz esperança para milhões de pessoas em todo o mundo.
O HIV é um vírus que ataca o sistema imunológico, enfraquecendo o corpo e tornando-o mais suscetível a doenças e infecções. Desde que foi identificado pela primeira vez na década de 1980, o HIV tem sido uma grande preocupação de saúde pública. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2020, cerca de 38 milhões de pessoas viviam com HIV em todo o mundo. No Brasil, estima-se que existam cerca de 920 mil pessoas vivendo com o vírus.
A prevenção é a melhor forma de combater o HIV e, até o momento, a principal estratégia é o uso de preservativos durante as relações sexuais. No entanto, muitas pessoas ainda não têm acesso ou não utilizam corretamente o método de proteção. Além disso, existem outras formas de transmissão do vírus, como o compartilhamento de seringas e agulhas contaminadas.
Por isso, a aprovação do lenacapavir pela Anvisa é um marco importante na luta contra o HIV. O medicamento é uma nova opção de prevenção para aqueles que não conseguem aderir às medidas tradicionais ou que estão em situações de maior vulnerabilidade, como profissionais do sexo, pessoas em relacionamentos sorodiscordantes (quando um parceiro tem HIV e o outro não) e usuários de drogas injetáveis.
O lenacapavir é um antirretroviral de ação prolongada, ou seja, tem efeito por um longo período de tempo. Ele é administrado por meio de uma injeção intramuscular semestral, o que facilita o uso e aumenta a adesão ao tratamento. Além disso, o medicamento é altamente eficaz na prevenção do HIV-1, com uma taxa de sucesso de cerca de 90%.
A aprovação do lenacapavir foi baseada em estudos clínicos que comprovaram sua eficácia e segurança. Em um dos estudos, realizado com mais de 3.200 pessoas em 16 países, o medicamento foi comparado com a terapia oral diária de PrEP. Os resultados mostraram que o lenacapavir foi não inferior à terapia oral, ou seja, teve a mesma eficácia na prevenção do HIV.
Além disso, o lenacapavir é bem tolerado pelos pacientes, com poucos efeitos colaterais. Os mais comuns são dor e inchaço no local da injeção, mas que desaparecem em poucos dias. Isso é uma grande vantagem em relação à terapia oral, que pode causar efeitos colaterais mais intensos, como náuseas, diarreia e alterações no fígado e nos rins.
A Anvisa também aprovou o uso do lenacapavir em combinação com outros medicamentos antirretrovirais para o tratamento do HIV em adultos e adolescentes. Isso significa que o medicamento pode ser utilizado tanto na prevenção quanto no tratamento da infecção pelo vírus.
Agora, o próximo passo é a incorporação do lenacapavir no Sistema Único de Saúde (SUS), para que ele esteja disponível gratuitamente para a população. A expectativa é que isso aconteça em breve, já que o Ministério da Saúde já sinalizou a intenção de incluir o medicamento na lista de medicamentos distribuí





