Mais de 10 mil hotéis na Europa se uniram em uma ação coletiva contra a plataforma de reservas de hotéis Booking.com. A ação é liderada pela associação europeia Hotrec e acusa a empresa de impor cláusulas que distorceram o mercado por cerca de duas décadas.
Segundo a Hotrec, a Booking.com impõe condições contratuais abusivas e práticas comerciais desleais aos hotéis que utilizam sua plataforma. Entre as cláusulas contestadas estão a paridade de preços, que impede os hotéis de oferecerem tarifas mais baixas em outros canais de venda, e a política de melhor preço, que obriga os hotéis a oferecerem o mesmo preço ou condições melhores do que os disponíveis na Booking.com.
Além disso, a associação alega que a Booking.com exige comissões elevadas dos hotéis, que chegam a 25% do valor das reservas, e impede a livre concorrência entre os estabelecimentos. Isso resulta em preços mais altos para os consumidores e em uma desvantagem para os hotéis que não aderem às condições impostas pela plataforma.
Diante dessas acusações, os hotéis decidiram agir e moveram uma ação coletiva contra a Booking.com. A ação foi registrada no Tribunal de Justiça da União Europeia e tem como objetivo obter uma decisão que proíba a empresa de continuar com essas práticas consideradas ilegais e prejudiciais para o mercado hoteleiro.
Para a Hotrec, essa ação é um importante passo para restaurar a concorrência leal no setor hoteleiro europeu. “Os hotéis estão cansados de serem reféns das condições impostas pela Booking.com. Essa ação coletiva é uma forma de mostrar que estamos unidos e determinados a lutar por um mercado justo e equilibrado”, afirma o presidente da associação, Jens Zimmer Christensen.
A Booking.com, por sua vez, defende suas práticas e afirma que elas são benéficas tanto para os hotéis quanto para os consumidores. A empresa alega que a paridade de preços garante que os hotéis tenham visibilidade e possam competir de forma igualitária no mercado, além de oferecer aos consumidores a garantia de que estão obtendo o melhor preço disponível.
No entanto, a Hotrec argumenta que essa paridade de preços é injusta e limita a capacidade dos hotéis de oferecerem descontos e promoções direcionados a determinados públicos, como clientes fiéis ou grupos específicos. Além disso, a associação ressalta que a Booking.com é uma das maiores plataformas de reservas de hotéis do mundo e possui uma posição dominante no mercado, o que lhe permite impor essas condições aos hotéis.
Essa não é a primeira vez que a Booking.com é alvo de críticas e ações judiciais por suas práticas comerciais. Em 2015, a empresa chegou a um acordo com a Comissão Europeia para encerrar uma investigação antitruste que a acusava de violar as leis de concorrência da União Europeia. Na época, a empresa concordou em permitir que os hotéis oferecessem preços mais baixos em outros canais de vendas.
No entanto, a Hotrec argumenta que a Booking.com não está cumprindo com esse acordo e continua impondo a paridade de preços e outras cláusulas abusivas aos hotéis. Por isso, a associação decidiu tomar medidas mais drásticas e levar o caso à justiça.
A ação coletiva movida pelos hotéis europeus contra a Booking.com é um marco importante na luta por um mercado mais justo e equilibrado. Os hotéis estão se unindo para garantir que suas vozes sejam ouvidas e que as pr





